Justiça

MP esclarece que apenas orientou delegado a evitar entrevistas sobre caso Benício

Órgão afirma que não houve determinação formal e que recomendação tem caráter cautelar para preservar investigação

Escrito por Redação
27 de março de 2026
O delegado Marcelo Martins, do 24º Distrito Integrado de Polícia (DIP), conduz a investigação do caso. Foto: Victor Levy/SSP-AM

O Ministério Público do Estado do Amazonas (MPAM) esclareceu que não determinou ao delegado Marcelo Martins, do 24º Distrito Integrado de Polícia (DIP), que deixasse de conceder entrevistas sobre a investigação da morte do menino Benício Xavier de Freitas, de 6 anos. Segundo o órgão, houve apenas uma orientação cautelar, sem caráter obrigatório, para preservar o andamento do inquérito.

Em nota, o MPAM informou que o procedimento tramita sob sigilo judicial e que as informações são prestadas dentro dos limites legais.
De acordo com o Ministério Público, o despacho ministerial tratou da dilação do prazo para conclusão do inquérito, que está em fase final. Na mesma manifestação, o promotor solicitou — sem impor — que o delegado evitasse entrevistas neste momento.

O entendimento ministerial é de que o delegado deva permanecer à frente da investigação até sua conclusão, motivo pelo qual a solicitação busca evitar a criação de elementos que possam ensejar questionamentos quanto à sua atuação”, diz trecho da nota.

O MPAM reforçou que a medida não possui caráter impositivo e tem como objetivo resguardar a condução da investigação, especialmente diante de pedidos da defesa para o afastamento da autoridade policial.

Benício Xavier morreu após receber uma dose de adrenalina por via intravenosa durante atendimento no Hospital Santa Júlia, em Manaus. A médica Juliana Brasil Santos é investigada no caso.

A defesa da médica solicitou à Justiça o reconhecimento da suspeição do delegado responsável pela investigação. O advogado Sérgio Ricardo Menezes alegou vazamento seletivo de informações de um processo que tramita em segredo de Justiça e afirma que houve criação de narrativa “apta a influenciar indevidamente a opinião pública e comprometer a imparcialidade da persecução penal”.

O Ministério Público também informou que foi concedido prazo adicional para a conclusão do inquérito, cuja finalização deve ocorrer após a etapa final da investigação.

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