Saúde

Ministério da Saúde pede incorporação de canetas emagrecedoras ao SUS

Pedido protocolado na Conitec inclui semaglutida e liraglutida e leva em conta queda de 70% nos preços dos medicamentos em menos de um ano

Escrito por Redação
25 de setembro de 2026
Ministério da Saúde protocola pedido de análise para incorporação de canetas emagrecedoras ao SUS - Foto: Reprodução

O Ministério da Saúde protocolou um pedido, nesta semana, para que a Conitec avalie a incorporação ao SUS de medicamentos à base de semaglutida e liraglutida, usados no tratamento da obesidade e conhecidos como canetas emagrecedoras. A entrada da liraglutida amplia o leque de opções em análise, já que a discussão vinha se concentrando principalmente na semaglutida. Os dois princípios ativos já não têm proteção de patente, segundo o ministério.

Hoje, o SUS não oferece de forma ampla medicamentos para obesidade. Existe apenas um projeto-piloto, iniciado em junho em Porto Alegre (RS), que acompanha cerca de 250 pacientes com obesidade grave ou indicação de cirurgia bariátrica.

O pedido considera um cenário diferente das análises anteriores: a entrada de novas marcas reduziu em cerca de 70% os preços desses medicamentos em menos de um ano, e o país já soma 25 canetas emagrecedoras registradas, 14 delas só em 2026. Essa queda pode mudar uma das principais barreiras discutidas até aqui, já que avaliações anteriores da Conitec apontavam impacto de bilhões de reais ao longo de cinco anos para os cofres públicos.

O ministério também cita a diretriz da Organização Mundial da Saúde (OMS), publicada no fim de 2025, sobre o uso em escala populacional de terapias com GLP-1 para tratar obesidade a longo prazo. A OMS defende acesso justo a esse tipo de tratamento e alerta que, sem políticas específicas, a falta de acesso pode aprofundar desigualdades na saúde.

Na semana passada, o presidente Lula já havia dito que os medicamentos seriam disponibilizados pelo SUS, mas ainda faltavam etapas técnicas. Mesmo com uma recomendação favorável da Conitec, a chegada aos pacientes ainda vai depender da definição de quem poderá recebê-los, em quais condições e de onde virão os recursos. Dados do ministério mostram que a proporção de adultos com obesidade no país passou de 11,8%, em 2006, para 25,7%, em 2024.

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