O mercado de motocicletas vive um momento de forte expansão no Brasil, com o Amazonas no centro desse crescimento. Entre janeiro e junho de 2026, as fabricantes instaladas no Polo Industrial de Manaus produziram 1.063.397 motocicletas, alta de 6,3% em relação ao mesmo período do ano passado. É o melhor resultado para um primeiro semestre desde 2011.
No país, foram 1.174.344 motocicletas licenciadas nos seis primeiros meses do ano, crescimento de 14,1% na comparação com 2025 e recorde histórico para o período. As exportações também cresceram: foram 24.084 unidades, alta de 29,4%.
Para o executivo do setor de motocicletas Oduénavi Ribeiro, o avanço está relacionado principalmente à mudança no perfil de uso do veículo. A moto deixou de ser apenas uma opção de lazer e passou a ser uma ferramenta de trabalho para milhares de pessoas.
“A motocicleta deixou de ser apenas um veículo de passeio. E ela se tornou um instrumento de trabalho importantíssimo na sustentação de muitas famílias”.
Motoristas de aplicativos, entregadores, autônomos e pequenos empreendedores estão entre os profissionais que dependem das duas rodas. O aumento do preço dos combustíveis e os problemas de mobilidade urbana também contribuem para a procura.
“Muita gente que quer economizar está, literalmente, trocando o carro pela moto. E juntando tudo isso com o desafio de mobilidade que nós temos nas cidades, onde você tem engarrafamentos terríveis, então tudo isso faz com que o boom de motocicleta aconteça”.
Apesar do crescimento da produção e dos emplacamentos, o acesso ao crédito continua sendo um dos principais desafios para os consumidores. Segundo Ribeiro, o índice de aprovação, que antes ficava em torno de 20%, atualmente está entre 5% e 6%.
“Por um lado, você tem um aumento de produção muito grande. E por outro, você tem uma restrição de crédito absurda”.
Como alternativa, o executivo cita o Club7, modalidade de compra programada associada ao LiberaCred e ao Banco Yamaha. Segundo ele, a iniciativa busca facilitar o acesso de consumidores que enfrentam dificuldades no financiamento tradicional.
O Polo Industrial de Manaus também alcançou em 2026 a marca de 40 milhões de motocicletas produzidas ao longo de sua história. Para a Abraciclo, a indústria de duas rodas emprega diretamente mais de 20 mil pessoas em Manaus e mais de 150 mil trabalhadores em todo o país.
A entidade projeta a produção de 2,07 milhões de motocicletas no Brasil em 2026, enquanto os licenciamentos devem chegar a 2,3 milhões de unidades. Os números reforçam a importância do setor para a economia e mantêm o Amazonas como um dos principais centros da indústria nacional de motocicletas.
