O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou nesta quarta-feira (18) a prorrogação, por mais 60 dias, do inquérito que investiga fraudes financeiras envolvendo o Banco Master, controlado por Daniel Vorcaro. A decisão atende a um pedido da Polícia Federal apresentado no dia anterior (17).
Ao autorizar a extensão do prazo, o ministro destacou a necessidade de continuidade das diligências. Segundo a decisão, a medida foi solicitada para a “realização de diligências reputadas imprescindíveis” ao esclarecimento dos fatos. “Considerando-se as razões apresentadas pela autoridade de polícia judiciária federal, defiro o pedido, prorrogando o inquérito por mais sessenta dias”, afirmou.
De acordo com os investigadores, ainda há grande volume de material a ser analisado, incluindo documentos, computadores e celulares apreendidos ao longo das fases da Operação Compliance Zero. Ao todo, mais de 100 aparelhos foram recolhidos, sendo oito pertencentes a Daniel Vorcaro.
A apuração envolve suspeitas de fabricação de carteiras de crédito falsas e desvio de recursos para benefício pessoal de envolvidos. O prejuízo estimado pode ultrapassar R$ 12 bilhões.
A primeira fase da operação foi deflagrada em novembro de 2025, com mandados direcionados à cúpula do Banco Master, incluindo o próprio Vorcaro. Na ocasião, também foi determinado o afastamento do presidente do Banco de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa, sob suspeita de participação em operações financeiras irregulares.
Em janeiro de 2026, a investigação avançou com foco no rastreamento de recursos e recuperação de ativos. A Justiça autorizou o bloqueio de R$ 5,7 bilhões em bens e valores, além do cumprimento de 15 mandados de busca e apreensão em endereços ligados ao investigado e a familiares. Entre os itens apreendidos estavam veículos de luxo e dinheiro em espécie.
Já na fase mais recente, deflagrada em março deste ano, a Polícia Federal apontou a existência de uma estrutura voltada à intimidação de adversários e jornalistas. Segundo a apuração, o grupo, denominado “A Turma”, atuaria como uma milícia privada para monitoramento e pressão.
A investigação também alcançou servidores do Banco Central, suspeitos de atuar como “consultores privados” de Vorcaro, com o fornecimento antecipado de informações e facilitação de processos regulatórios em troca de propina.
Diante dos desdobramentos, Daniel Vorcaro voltou a ser preso, e o STF determinou o bloqueio de até R$ 22 bilhões em bens. Os investigados podem responder por crimes como gestão temerária, lavagem de dinheiro, corrupção ativa e passiva, além de obstrução de Justiça.
