Segurança

Mais de 40% dos brasileiros dizem conviver com facções e milícias no bairro onde moram

Mais de 40% dos brasileiros dizem conviver com facções e milícias no bairro onde moramPesquisa do Fórum Brasileiro de Segurança Pública revela avanço do crime organizado para além das capitais e aumento da sensação de medo no país

Escrito por Redação
11 de maio de 2026
Pesquisa aponta avanço das facções e milícias em bairros de todo o Brasil - Foto: Euzilvaldo Queiroz/Pawe

O avanço do crime organizado no Brasil já faz parte da rotina de milhões de pessoas. Um levantamento divulgado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública aponta que 41,2% dos brasileiros com 16 anos ou mais afirmam conviver com facções criminosas ou milícias no bairro onde vivem. O índice representa cerca de 68,7 milhões de pessoas em áreas sob influência direta ou indireta do crime organizado.

Segundo a pesquisa, o problema deixou de ser exclusivo das grandes capitais e passou a atingir cidades do interior e regiões metropolitanas. Nas capitais, o percentual de moradores que relatam presença de facções chega a 55,9%. Já no interior, o índice alcança 34,1%, evidenciando a expansão territorial das organizações criminosas pelo país.

O estudo também mostra os impactos diretos na vida da população. Entre os entrevistados que convivem com o crime organizado, 81% afirmam ter medo de ficar no meio de confrontos armados, enquanto 74,9% evitam determinados locais por receio da violência. Além disso, 64,4% disseram temer denunciar crimes e sofrer represálias.

Para especialistas em segurança pública, os números revelam o fortalecimento de uma espécie de “governança paralela” em áreas dominadas por facções e milícias. Nessas regiões, criminosos acabam influenciando regras de convivência, circulação de moradores e até atividades comerciais, ampliando a sensação de insegurança e a perda de autoridade do Estado.

A pesquisa Datafolha ouviu 2.004 pessoas em 137 municípios brasileiros e faz parte do relatório “Medo do crime e eleições 2026: os gatilhos da insegurança”. O levantamento reforça que a segurança pública deve ocupar posição central no debate político e eleitoral deste ano.

Matérias relacionadas