Economia

Lula quer anular leilão de gás da Petrobras após venda com ágio de até 100%

Presidente afirma que certame foi feito contra orientação do governo e promete evitar alta do preço do gás de cozinha

Escrito por Redação
2 de abril de 2026
Foto: Ricado Stuckert/PR

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou, nesta quinta-feira (2), que pretende anular o leilão de gás liquefeito de petróleo (GLP), conhecido como gás de cozinha, realizado pela Petrobras. Segundo ele, o produto foi vendido às distribuidoras com preços até 100% acima dos valores praticados na tabela da estatal.

Em entrevista à TV Record Bahia, o presidente declarou que o certame teria ocorrido sem o aval da direção da empresa e contrariando a orientação do governo federal.

“Foi feito um leilão, eu diria que uma cretinice, bandidagem, que fizeram. As pessoas sabiam da orientação do governo, da orientação da Petrobras de não vamos aumentar GLP. Pois fizeram um leilão contra a vontade da direção da Petrobras”, disse Lula.

O presidente afirmou que o governo pretende revisar a operação e cancelar o resultado. “Nós vamos rever esse leilão, nós vamos anular esse leilão, porque o povo pobre não pagará, em hipótese alguma, o preço dessa guerra”, afirmou.

Apesar de o Brasil ser produtor de gás, o mercado interno sofre influência dos preços internacionais, atualmente pressionados pelo conflito no Oriente Médio. A estratégia de leilões com alto ágio tem sido apontada como mecanismo para ajustar o preço nacional ao cenário externo sem alteração formal da tabela.

Na página oficial da Petrobras, os valores do GLP vendidos às distribuidoras permanecem inalterados desde novembro de 2024. O presidente voltou a criticar o preço final do botijão ao consumidor e mencionou o programa Gás do Povo, que substituiu o Auxílio Gás e busca garantir o produto gratuitamente para famílias de baixa renda.

Para Lula, o aumento no preço ao consumidor está ligado principalmente à etapa de distribuição. “Quando a Petrobras vende um botijão de gás a R$ 37, ele não pode chegar a R$ 160 na casa do povo. Alguém está roubando. [Dizem:] ‘Ah, mas a pessoa está gastando dinheiro [tendo custo] para entregar’. Tudo bem, mas é muita diferença entre R$ 37 para R$ 140, para R$ 150. E agora fizemos um leilão que teve ágio de 100%”, disse.

O presidente também voltou a comentar os impactos do conflito no Oriente Médio sobre os combustíveis, especialmente o diesel, cujo preço internacional tem pressionado o mercado interno. Segundo Lula, o governo estuda medidas para conter reajustes e evitar efeitos inflacionários.

Entre as ações em análise, está a criação de subsídio para o diesel importado, com desconto estimado em R$ 1,20 por litro, além de outras iniciativas para conter aumentos considerados injustificados. “Pode ficar certo, o povo não vai pagar. Nós não vamos aumentar o óleo diesel, [mas] tem gente [postos] aumentando sem nenhuma necessidade. Qual é a lógica de aumentar o preço do álcool? Qual é a lógica de aumentar o preço da gasolina se nós ainda não temos necessidade disso? É pura bandidagem de algumas pessoas”, afirmou.

Lula também criticou a privatização da BR Distribuidora e afirmou que o governo avalia a recompra de ativos estratégicos, como a Refinaria de Mataripe, na Bahia, com o objetivo de ampliar a capacidade de refino e reduzir a dependência do mercado externo.

A Petrobras foi procurada para comentar as condições do leilão, e o espaço segue aberto para manifestação.

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