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Jonestown: Essequibo já foi cenário de uma das maiores tragédias da história

Naquela ocasião, 918 pessoas, lideradas pelo religioso Jim Jones, tiraram suas próprias vidas em um ritual que chocou a todos

Escrito por
Thiago Freire
December 06, 2023
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A disputa territorial entre Venezuela e Guiana pela região de Essequibo está gerando tensões internacionais, levando o Brasil a mobilizar tropas e blindados para a fronteira com o país vizinho. O presidente da Guiana, Irfaan Ali, anunciou que buscará intervenção do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) diante das decisões da Venezuela.

Esse território, potencialmente palco de um conflito armado, já foi cenário de um evento trágico e mundialmente conhecido: o suicídio coletivo de Jonestown, em 18 de novembro de 1978. Naquela ocasião, 918 pessoas, lideradas pelo religioso Jim Jones, tiraram suas próprias vidas em um ritual que chocou a todos.

JIM JONES

Jim Jones nasceu em uma família pobre em Indiana, nos Estados Unidos. Ele se tornou um defensor dos direitos civis e em 1956 inaugurou o “Templo do Povo”, seita supostamente cristã.

Em 1962, citando o medo do apocalipse nuclear, tentou mudar a sede para o Brasil, em Belo Horizonte.

Por não falar português e não conseguir arrebanhar discípulos, voltou para os Estados Unidos em 1963. Desta vez, instalou-se na Califórnia, centro da indústria cultural e perfeito lugar para tornar-se uma celebridade. Foram abertas filiais do Templo em São Fernando, Los Angeles e São Francisco.

Em 1977, porém, Jones começou a ser acusado de abusos físicos e psicológicos contra seus seguidores. Ele, então, decidiu fugir para a Guiana, pequeno país na América do Sul, onde fundou Jonestown.

TRAGÉDIA

Jonestown era uma comunidade autossuficiente, com sua própria escola, hospital e plantações, onde o líder controlava todos os aspectos da vida dos habitantes da comuna.

Após Jones ordenar os assassinatos de uma comissão do congresso norte-americano, que tinha por objetivo verificar as condições dos próprios cidadãos, ele decidiu, então, conduzir a seita a cometer suicídio coletivo, já que estava convencido de que a cidade seria invadida por agentes da CIA.

A prática já havia sido ensaiada outras vezes, mas sem o uso de veneno.

Os membros, então, fizeram uma fila para beber o ponche, com uma mistura de cianeto de potássio e calmantes, disposto em baldes industriais. E eles assim o fizeram, muitos por vontade própria, mas outros sob ameaça dos seguranças armados. Vários corpos apresentaram indícios de tiros e facadas.

Nos dias que se seguiram à noite de 18 de novembro de 1978, fotógrafos e repórteres tiveram que mover-se por um tapete de 909 corpos, sendo 304 menores de idade, rapidamente inflados e irreconhecíveis pelo calor do verão amazônico.

O episódio levanta reflexões sobre o atual contexto tenso em Essequibo e suas implicações históricas.

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