Meio Ambiente

Janja participa de encontro científico no Amazonas em preparação para a COP30

O evento reuniu representantes de instituições científicas, governamentais e da sociedade civil com o objetivo de formular propostas da região amazônica para a COP30, que acontecerá em novembro de 2025, em Belém (PA)

Escrito por Clara Gentil
20 de agosto de 2025
Fotos: Clara Gentil

A primeira-dama Janja Lula da Silva participou, nesta quarta-feira (20/8), do Encontro da Comunidade Científica e Tecnológica da Amazônia, realizado na Universidade Federal do Amazonas (Ufam), em Manaus. 

O evento reuniu representantes de instituições científicas, governamentais e da sociedade civil com o objetivo de formular propostas da região amazônica para a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30), que acontecerá em novembro de 2025, em Belém (PA).

Durante sua fala, Janja destacou o papel que exerce como enviada especial das mulheres na agenda climática. “O meu papel como enviado especial das mulheres é colocar a questão das mulheres na centralidade da discussão, da justiça climática e do combate às mudanças climáticas. Eu estou usando a minha voz para ser a voz das mulheres, das comunidades, das mulheres ribeirinhas, das pescadoras, das marisqueiras, enfim, das mulheres que sofrem na pele a questão das mudanças climáticas. Eu tenho andado pelo Brasil, vou visitar os seis biomas, comecei aqui na Amazônia. Ao final, nós vamos publicar uma carta das mulheres para a COP30 e a voz das mulheres da Amazônia será ouvida pelos líderes lá na COP30”, afirmou.

Fotos: Clara Gentil


O encontro contou também com a presença do embaixador André Corrêa do Lago, presidente da COP30 no Brasil, que recebeu um documento com contribuições para a Agenda de Ação do Mutirão Global contra a Mudança do Clima (2025–2035). O material foi produzido por 40 instituições da região.

“A Amazônia é uma região de uma complexidade incrível e eu acho que o próprio Brasil não tem noção do quanto isso daqui tem para contribuir para o nosso país e para o mundo. Então, essa reunião desses dois dias foi fabulosa, porque juntou essa inteligência da Amazônia, a ciência, os técnicos, as grandes instituições. Então, é um orgulho enorme poder estar aqui e essa preparação para a COP30 tem que passar pelo Brasil, se conhecer pelo Brasil, chegar na COP30, unido em torno de tudo que já foi feito ao longo dos anos”, disse o embaixador.

A ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos, também participou da agenda e destacou o papel da ciência na formulação de soluções climáticas. “Não há dúvida de que não é possível enfrentar o aquecimento global sem ciência e sem tecnologia. Essa é uma combinação necessária, pois as soluções para o enfrentamento do processo de carbonização e dos efeitos da emissão dos gases de efeito estufa envolvem justamente alternativas para a transição energética, com uma matriz cada vez mais limpa e baseada no conceito de sustentabilidade”, declarou.

A reitora da Ufam, Tanara Lauschner, reforçou a importância do protagonismo amazônico no debate climático. “É um resultado de meses de dedicação de centenas de pesquisadores e pesquisadoras que acreditam que a ciência deve ser um alicerce das decisões globais sobre o clima, também é o resultado de décadas de pesquisa na região da Amazônia. E este é o recado que precisa ser ouvido. A Amazônia não aceita ser apenas cenário de debates, ela é protagonista. Não cabe a outros dizer qual é o futuro da esta região. Cabe a nós, amazônidas, afirmar ao Brasil e ao mundo o caminho que queremos seguir. O que nasce aqui aponta para soluções reais, para a construção”, afirmou.

O que diz a carta

De acordo com o documento, a Amazônia Legal tem mais de 400 instituições de ensino e mais de 650 cursos de pós-graduação. Cerca de 100 mil profissionais são formados por ano, mas muitos enfrentam dificuldades para atuar em áreas sustentáveis. Os autores defendem que é preciso alinhar educação, inovação e políticas públicas com urgência.

As soluções listadas foram construídas com base em seis eixos temáticos da COP 30:

  • Transição energética;
  • Gestão de florestas e biodiversidade;
  • Transformação da agricultura;
  • Resiliência urbana e hídrica;
  • Desenvolvimento humano;
  • Objetivos transversais, como financiamento climático, bioeconomia e inovação tecnológica.

No eixo da transição energética, as instituições amazônicas destacam projetos com energia solar, biomassa, hidrogênio verde e microgeração descentralizada para comunidades isoladas.

Na gestão ambiental, são mencionados programas de restauração florestal, combate ao desmatamento e tecnologias para manejo sustentável com envolvimento de comunidades indígenas.

As propostas para a agricultura envolvem sistemas agroflorestais, segurança alimentar e valorização de produtos da sociobiodiversidade.

no eixo urbano, as soluções apontam para arquitetura bioclimática, infraestrutura verde, gestão integrada das águas e mobilidade sustentável com foco regional.

A área da saúde propõe a adaptação dos sistemas às mudanças climáticas, com vigilância epidemiológica integrada a dados ambientais. Também há foco em formação profissional para empregos verdes, valorização de culturas tradicionais e promoção da bioeconomia por meio de inovação e empreendedorismo.

A carta também aponta obstáculos como falta de orçamento, logística precária, entraves legais e pouca valorização dos saberes tradicionais. Como resposta, propõe soluções como:

  • Investimento contínuo em ciência e tecnologia;
  • Modernização de laboratórios e centros de dados;
  • Financiamento à bioeconomia e agroecologia;
  • Qualificação de recursos humanos;
  • Cooperação internacional e valorização dos conhecimentos locais.

Além disso, reafirma que a Amazônia é protagonista na luta global contra as mudanças climáticas e defende que a implementação da política climática brasileira deve ser liderada por suas populações e instituições. A contribuição foi entregue à presidência da COP30, ao governo federal e aos representantes da Amazônia no comitê científico da conferência.

“A ciência amazônica está pronta para acelerar a implementação do Acordo de Paris e garantir justiça climática para as populações da floresta, das águas e das cidades”, conclui o documento.

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