Saúde

Fundação do Câncer atualiza guia e reforça uso do teste de DNA-HPV no SUS

A nova edição orienta profissionais de saúde sobre a substituição gradual do Papanicolau e destaca avanços no rastreamento do câncer do colo do útero

Escrito por Redação
8 de janeiro de 2026
Foto: Divulgação/Internet

Nesta quinta-feira (08), a Fundação do Câncer lançou uma versão atualizada do Guia Prático de Prevenção do Câncer do Colo do Útero, como parte das ações do Janeiro Verde, mês de conscientização e prevenção da doença. O material tem como objetivo orientar profissionais de saúde sobre a transição no modelo de rastreamento, que prevê a substituição gradual do exame Papanicolau pelo teste molecular de DNA-HPV.

Lançada em 2022, a primeira edição teve como guia quando se falava de vacinação contra o HPV (papilomavirus humano), vírus que afeta a pele e as mucosas, a infecção sexualmente transmissível mais comum no mundo e o rastreamento com o exame Papanicolau, que utilizava a citologia, método vigente à época.

Segundo especialistas, em relação ao rastreamento foram incorporados ao Sistema Único de Saúde (SUS), em 2024, os testes moleculares (DNA-HPV) para detecção do HPV oncogênico (tipos de HPV com potencial capacidade de causar câncer de colo do útero).

Foto: Divulgação/Internet

Com início em setembro de 2025, o processo de implementação dos testes moleculares para a detecção do HPV oncogênico passou a ser conduzido por um núcleo criado na Secretaria de Atenção Especializada à Saúde do Ministério da Saúde e ocorrerá de forma gradativa. 

O guia atualizado da Fundação do Câncer já incorpora as recomendações das novas Diretrizes Brasileiras para o Rastreamento do Câncer do Colo do Útero, aprovadas pela Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (Conitec). 

As diretrizes estabelecem a substituição gradual do exame Papanicolau pelo teste molecular de DNA-HPV no Sistema Único de Saúde (SUS), como forma de ampliar a eficácia do rastreamento da doença.

Público Alvo 

No Brasil, o público-alvo do novo exame de rastreamento por DNA-HPV permanece o mesmo, abrangendo mulheres de 25 a 64 anos. Em outros países, a idade inicial para o exame é de 30 anos, mas, após estudos, o Brasil optou por manter o modelo já consolidado, principalmente para evitar a utilização simultânea de dois métodos de rastreamento em uma mesma unidade de saúde.

A periodicidade dos exames também difere do modelo anterior. No caso da citologia (Papanicolau), o teste deve ser repetido a cada três anos após dois resultados negativos consecutivos, realizados com intervalo de um ano. Já as mulheres que apresentarem resultado positivo para os tipos de HPV de maior risco, especialmente os tipos 16 e 18, responsáveis por cerca de 70% dos casos de câncer do colo do útero, são encaminhadas imediatamente para a realização da colposcopia.

O exame de colposcopia permite a visualização ampliada e detalhada do colo do útero e da vagina por meio de lentes de aumento e do uso de reagentes, possibilitando a identificação de lesões precursoras da doença.

Segundo o cirurgião oncológico e diretor executivo da Fundação do Câncer, Luiz Augusto Maltoni, o Papanicolau identifica alterações celulares apenas quando elas já estão instaladas, enquanto o exame molecular permite detectar precocemente a infecção pelo HPV. Para ele, a mudança representa um avanço ao ampliar a capacidade de diagnóstico precoce e fortalecer as estratégias de prevenção do câncer do colo do útero.

Consulte aqui o Guia Prático de Prevenção do Câncer do Colo do Útero, da Fundação do Câncer.

Foto: Divulgação/SES-AM

A equipe do Diário da Capital entrou em contato com a Secretaria de Estado de Saúde do Amazonas (SES-AM) para solicitar informações sobre o tratamento do câncer do colo do útero no estado.

Entre os questionamentos estão o número de mulheres atualmente em tratamento na Fundação Centro de Controle de Oncologia do Amazonas (FCecon) e a capacidade da rede pública para garantir o diagnóstico precoce da doença.

Até o fechamento desta matéria, não houve retorno. O espaço permanece aberto para manifestação da secretaria.

Matérias relacionadas