Economia

Fim da escala 6×1 divide opiniões entre trabalhadores e empresários em Manaus

Enquanto profissionais defendem mais tempo para descanso e convivência familiar, setor empresarial pede planejamento e negociação coletiva para mudanças na jornada

Escrito por Cristina Silva
21 de outubro de 2026
Debate sobre o fim da escala 6x1 coloca em discussão o direito ao descanso e os desafios de adaptação das empresas — Foto: Gabriela Zadvorne

O debate sobre o fim da escala 6×1, modelo em que o trabalhador cumpre seis dias de expediente para apenas um de folga, ganhou força em Manaus e evidencia diferentes perspectivas sobre a jornada de trabalho. Enquanto profissionais defendem mais tempo para descanso, saúde e convivência familiar, representantes do setor empresarial alertam para a necessidade de planejamento e avaliação dos impactos econômicos de uma eventual mudança.

Para o operador de produção do Distrito Industrial Jhordan Ribeiro, a rotina de seis dias de trabalho compromete o tempo dedicado à vida pessoal. “Hoje, com apenas um dia de folga, a gente acaba tendo pouco tempo para estar com a família, para cuidar da saúde, para descansar”, relata. Segundo ele, o trabalho no segundo turno, com retorno para casa tarde da noite, torna ainda mais difícil conciliar as obrigações profissionais com os compromissos pessoais.

Jhordan acredita que uma jornada de cinco dias de trabalho e dois de descanso permitiria distribuir melhor as atividades da semana e melhorar a qualidade de vida. Atualmente, parte de sua única folga é utilizada para resolver pendências acumuladas, reduzindo o tempo disponível para o lazer e a recuperação física.

Do lado empresarial, a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) manifestou preocupação com a condução do debate durante o período eleitoral. Em nota divulgada no dia 14 de outubro, a entidade lamentou que uma discussão considerada relevante para as relações de trabalho tenha ocorrido nesse contexto e defendeu uma análise cuidadosa das possíveis consequências para as empresas.

A CNC também destacou a importância da negociação coletiva entre trabalhadores e empregadores, considerando as particularidades de cada atividade econômica e as diferenças regionais. Enquanto a discussão sobre a escala 6×1 continua, o desafio é conciliar a busca por melhores condições de trabalho com a reorganização das jornadas, os custos operacionais e a segurança jurídica das relações trabalhistas.

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