Justiça

Família cobra laudo do IML quatro meses após morte de criança em Manaus

Pais de Benício pedem conclusão do inquérito e envio do caso à Justiça após coletiva de imprensa

Escrito por Redação
2 de abril de 2026
Foto: Divulgação

Quatro meses após a morte do menino Benício Xavier de Freitas, de 6 anos, os pais da criança cobram a conclusão do laudo do Instituto Médico Legal (IML) e o encerramento das investigações conduzidas pela Polícia Civil do Amazonas. O pedido foi reforçado durante coletiva de imprensa realizada nesta quinta-feira (2), em Manaus.

Segundo a família, o caso ainda não foi encaminhado ao Ministério Público porque o laudo necroscópico não foi finalizado. Sem esse documento, o inquérito policial permanece em andamento e a apuração não chegou à fase judicial. Na semana passada, a Polícia Civil solicitou mais 45 dias para concluir a investigação.

Durante a coletiva, o pai da criança, Bruno Freitas, relatou o impacto da demora. “Foram os piores Natal e Réveillon das nossas vidas. A gente não tinha o que festejar. Eram fogos de artifício do lado de fora e a gente em casa, no quarto, um abraçando o outro e chorando”, afirmou.

Ele também destacou o sofrimento prolongado da família. “São quatro meses que a gente está buscando justiça, todos os dias. Por trás desse inquérito policial, tem uma família que chora, que sofre, que não consegue mais viver em paz porque sente falta do seu filho”, disse.

Benício morreu na madrugada de 23 de novembro de 2025, após receber doses de adrenalina pela veia no Hospital Santa Júlia. A criança havia sido levada à unidade com sintomas de tosse e inflamação na garganta. De acordo com a família, possíveis erros médicos ao longo de aproximadamente 14 horas teriam contribuído para o óbito, que ocorreu após várias paradas cardíacas.

Os advogados da família afirmam que a demora está relacionada à necessidade de elaboração de uma perícia indireta. O corpo da criança foi embalsamado antes de passar pelo IML, o que teria inviabilizado a realização do exame necroscópico tradicional.

“É uma perícia indireta porque quando houve o falecimento da criança, o hospital não teve o zelo e o cuidado, diante de uma morte suspeita, atípica, de enviar o corpo para o IML. Pelo contrário, preferiram somente informar aos pais da morte, que procederam com o embalsamento. Por isso, não pôde-se fazer um laudo necroscópico conclusivo, em decorrência do formol. E este laudo indireto é que causa uma demora ainda maior, mas que é primordial para o inquérito”, afirmaram os advogados Paulo Feitoza e Ricardo Albuquerque.

A defesa também mencionou a circulação de informações não oficiais sobre o caso e disse que vazamentos podem prejudicar a apuração. A família pede que a investigação seja concluída e que os responsáveis sejam responsabilizados.

“É uma dor que não passa, uma ferida que não fecha. Não queremos que o caso do Benício passe na frente de outros, só queremos o direito à justiça, que os culpados sejam penalizados e o nosso luto seja menos doloroso para honrarmos a vida do nosso filho”, afirmou Joyce Xavier, mãe da criança.

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