Cidadania

Falta de mediadores expõe crise na inclusão escolar em Manaus

Denúncia de tratamento discriminatório em escola municipal revela professores sobrecarregados e ausência de suporte para alunos que precisam de cuidados especiais

Escrito por Rebeca Beatriz
30 de abril de 2026
Denúncia partiu dos vereadores Eurico Tavares e Amauri Gomes - Foto: Divulgação/Semed

A denúncia de uma mãe sobre possível tratamento discriminatório contra o filho em uma escola da rede municipal de ensino acendeu o alerta para um problema maior enfrentado por educadores e alunos em Manaus: a falta de mediadores em salas com crianças que necessitam de acompanhamento especializado.
O caso veio à tona nesta quinta-feira (30/4), após os vereadores Eurico Tavares (PSD) e Amauri Gomes (PSD) visitarem a Escola Municipal Miguel Arraes, onde foram constatados relatos de profissionais exaustos e sem suporte adequado para lidar com a demanda crescente de alunos com transtornos como TDAH, autismo e TOD.

Segundo os relatos, a ausência de políticas efetivas de inclusão tem impactado diretamente o ambiente escolar.

“Recebemos a denúncia de uma mãezinha de que o seu filho estaria recebendo tratamento discriminatório. Visitamos a Escola Municipal Miguel Arraes para averiguar uma denúncia envolvendo uma criança. Ao chegar lá, encontramos professores cansados, desanimados e adoecendo por terem que lidar com alunos especiais sem mediadores e sem o suporte necessário. A inclusão não pode ser só discurso. Precisa de estrutura, profissionais preparados e respeito com as crianças, as famílias e os educadores”, afirmou Amauri Gomes.

O cenário descrito reforça uma realidade já apontada por outros representantes e profissionais da educação: a sobrecarga dos professores e a ausência de profissionais de apoio comprometem não apenas o aprendizado, mas também a permanência dos educadores em sala de aula.

Eu entendi o que já vem acontecendo há muito tempo na cidade de Manaus: a falta de mediadores. Aqui, uma professora cuida de oito crianças com TDAH, autismo, TOD, sem auxílio algum. Simplesmente, hoje ela desistiu de dar aula. A culpa não é da mãe, não é da professora. A culpa é da Prefeitura de Manaus, porque a gente já pediu requerimento de mediadores e até hoje não foi atendido. Inclusive, essa escola também já fez a solicitação e até hoje não foi atendida. Esta situação acontece em toda a cidade de Manaus. Não estão conseguindo trazer a inclusão necessária para essa escola”, salientou Eurico Tavares.

A ausência de mediadores, profissionais essenciais no acompanhamento de estudantes com necessidades específicas, tem sido apontada como um dos principais entraves para a efetivação da educação inclusiva na capital amazonense. Sem esse suporte, professores acumulam funções e enfrentam dificuldades para atender de forma adequada todos os alunos.

O Diário da Capital entrou em contato com a Secretaria de Educação Municipal (Semed), responsável pela escola, para saber se a pasta tem conhecimento da situação e aguarda resposta.

A reportagem também questionou quantos profissionais mediadores estão atualmente disponíveis para atender a demanda da população e se existe previsão de contratação, convocação ou ampliação do número de mediadores. Além disso, o Diário da Capital perguntou qual o suporte pedagógico e psicológico a Semed oferece aos professores que atendem alunos com necessidades específicas.

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