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Especialistas alertam para cuidados com crianças durante as férias escolares

Rotina mais flexível e atividades diferentes exigem atenção redobrada de pais e responsáveis para prevenir acidentes

Escrito por Redação
4 de janeiro de 2026
Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil

Com a chegada das férias escolares, a rotina das crianças se torna mais flexível, com mudanças nos horários, novas atividades e, muitas vezes, menor supervisão direta. Esse cenário exige atenção redobrada de pais e responsáveis para evitar acidentes dentro e fora de casa durante o período, que normalmente se estende de dezembro a fevereiro, variando conforme o estado ou município.

Especialistas ouvidos pela Agência Brasil alertam que o primeiro desafio das famílias é escolher locais adequados para as atividades de lazer. O pediatra e alergista do Hospital Santa Catarina – Paulista, Josemar Lídio de Matos, destaca que o planejamento deve incluir a avaliação da segurança dos espaços frequentados pelas crianças.

“A gente tem aí esse desafio de entreter as crianças e ocupá-las no período de férias. As famílias acabam entrando em programações onde os pais tiram também suas férias e propõem alguma atividade extra para as crianças. Então, o primeiro desafio é o local onde serão realizadas essas novas atividades para ir ocupando as crianças e para elas se divertirem”, afirmou.

Segundo o especialista, é fundamental observar se os locais escolhidos oferecem condições mínimas de segurança. “Se vai a um parquinho diferente, é preciso ver se é um parquinho em que os brinquedos estão conservados, são seguros, se tem um piso que absorve impacto em caso de queda. Se, eventualmente, a família frequentar clubes, hotéis, deve-se averiguar se oferecem sistemas de segurança, como rede nas janelas, proteção de piscinas para que os pequenos não caiam, se a área da piscina está isolada”.

Os riscos variam de acordo com a idade da criança. No caso dos menores de até 3 anos, os acidentes mais comuns podem acontecer dentro de casa, especialmente quedas. “É a queda do sofá, é a queda da cama. A família viaja para uma casa e aí, na hora de dormir, não vai ter o berço da criança. Ela dorme em uma cama mais alta, cai e bate a cabeça. São os traumas”, explicou.

Outro risco frequente citado pelo pediatra é o de queimaduras. “O bebê vai lá, puxa alguma coisa, puxa uma panela quente, puxa um prato que está com algo que acabou de sair do forno”. Também há o perigo de intoxicação, principalmente pela ingestão de produtos de limpeza deixados ao alcance das crianças.

Para crianças maiores, os acidentes costumam estar relacionados à própria energia e disposição para atividades mais intensas, como o uso de bicicletas, skates e patins. Nesses casos, Josemar Lídio de Matos recomenda o uso de equipamentos de proteção adequados. “E sempre sob supervisão de um adulto”, ressaltou.

Ao alugar casas ou apartamentos para o período de férias, a orientação é verificar se brinquedos disponíveis no local são adequados à idade da criança e se não possuem peças pequenas que possam causar engasgo. “Se tiver um playground, deve-se verificar que brinquedos são aqueles, se estão bem conservados, se não têm risco de a criança escorregar, de o brinquedo quebrar enquanto ela estiver brincando e cair”.

O pediatra também chama atenção para o risco de afogamentos em áreas com piscina ou praia e reforça a necessidade de barreiras de proteção e vigilância constante. A pediatra Patricia Rolli, do mesmo hospital, destaca que a atenção dos adultos deve ser contínua. “O acidente acontece em segundos. Basta um instante de desatenção para que a criança fique em perigo”.

Para crianças maiores, os especialistas defendem que o diálogo seja parte da prevenção. Ao sair para locais movimentados, como shoppings, os pais devem orientar sobre o risco de se perder e explicar como agir nessas situações. “Esse hábito cotidiano deve ser posto em prática nas férias, porque é uma coisa que foge da rotina”, disse Josemar Lídio de Matos.

Patricia Rolli reforça que o exemplo dos adultos é determinante. “Quando os adultos seguem regras de segurança no trânsito e na hora do lazer, as crianças reproduzem esse comportamento naturalmente. Ensinar como agir em situações de risco, como pedir ajuda, reconhecer perigos e memorizar números de emergência, também contribui para uma rotina mais segura”.

Em ambientes como praias, a recomendação é explicar às crianças o significado das sinalizações dos guarda-vidas e respeitar as orientações. “O adulto também não pode desobedecer a placa. Isso ajuda bastante. É o adulto dando o exemplo”, destacou Josemar.

Outra dica é estabelecer pontos de referência e orientar para que a criança não se afaste do local combinado. Para facilitar a identificação em locais cheios, Patricia Rolli sugere o uso de roupas chamativas. “Uma criança com uma roupa em um tom pastel meio que se apaga na água, na areia. É muito mais difícil de o adulto localizar à distância, de estar monitorando o tempo inteiro onde está essa criança”. Por isso, cores fortes ajudam a manter os pequenos sempre no campo de visão dos responsáveis.

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