Eleições

Disputa pelo Fundo Eleitoral ameaça chapa do PL para deputado estadual no Amazonas

Dupla de candidatas foi à sede do partido cobrar explicações sobre os valores destinados às campanhas

Escrito por Redação
26 de agosto de 2026
Crise interna do PL ganhou força após candidatas apontarem desigualdade na divisão dos recursos eleitorais - Foto (iA): Diário da Capital

A chapa do Partido Liberal (PL) para deputado estadual no Amazonas enfrenta uma crise interna às vésperas das eleições. Candidatas mulheres estariam insatisfeitas com a distribuição de recursos do Fundo Especial de Financiamento de Campanha, o chamado Fundão Eleitoral, além de reclamarem da falta de estrutura e apoio por parte da direção estadual da legenda.

Segundo informações apuradas pelo Diário da Capital, pelo menos duas candidatas que integram a chapa do PL estariam ameaçando deixar a disputa. A principal reclamação seria o valor destinado às campanhas femininas. Conforme os relatos, o presidente estadual do partido, Alfredo Nascimento, teria definido apenas R$ 50 mil para cada uma dessas candidaturas.

A diferença em relação a outros nomes da legenda teria provocado revolta entre as candidatas. Para a própria campanha de deputado federal, Alfredo Nascimento deverá receber cerca de R$ 3 milhões. O mesmo valor estaria previsto para o vereador Sargento Salazar, apontado como uma das principais apostas do partido para a Câmara dos Deputados.

Outro nome apoiado por Salazar, Kidson Maia, candidato a deputado estadual, também deverá receber um valor significativamente maior, de até R$ 1,2 milhão, segundo as informações divulgadas.

A insatisfação levou um grupo de candidatas à sede do PL, no Conjunto Morada do Sol, para cobrar explicações sobre o rateio dos recursos. De acordo com fontes ouvidas e que participaram da reunião, as candidatas já tentavam conversar com Alfredo Nascimento havia pelo menos duas semanas e precisaram aguardar para serem recebidas.

Durante o encontro, Alfredo teria afirmado que a distribuição dos recursos já havia sido acertada com Maria do Carmo Seffair, candidata ao governo do Amazonas, Capitão Alberto Neto, candidato ao Senado, e a direção nacional do PL. Segundo os relatos, o presidente estadual alegou que não teria poder para modificar o que havia sido definido.

A justificativa, porém, passou a ser questionada pelas próprias integrantes da chapa. Em maio, o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, publicou um vídeo afirmando que Alfredo Nascimento seria o responsável por conduzir e tomar as principais decisões do partido no Amazonas.

Além da disputa pelos recursos, a crise pode ter consequências diretas para a composição da nominata. Atualmente, o PL conta com nove mulheres entre os candidatos a deputado estadual. A legislação eleitoral estabelece que cada partido deve respeitar o percentual mínimo de 30% e máximo de 70% de candidaturas de cada sexo.

Caso as candidaturas femininas sejam retiradas, o impacto não ficaria restrito às duas mulheres que ameaçam abandonar a disputa. Para adequar a nominata à regra de gênero, o partido poderia ser obrigado a retirar também outros seis candidatos homens.

A situação coloca em risco uma chapa que trabalha com a expectativa de conquistar até quatro cadeiras na Assembleia Legislativa do Amazonas. Uma disputa interna que começou pela divisão do Fundo Eleitoral pode, portanto, comprometer toda a estratégia eleitoral da sigla.

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