Política

“Despedida ao lado do povo”: David Almeida convoca servidores e reforça pré-campanha com plateia interna

Evento no Studio 5 é anunciado como encontro com o “povo”, mas mobilização ocorre majoritariamente entre servidores municipais

Escrito por Rosianne Couto
30 de março de 2026
Evento anunciado como encontro com o “povo” mobiliza principalmente servidores municipais — Foto: Dhyeizo Lemos/Semcom

O prefeito de Manaus, David Almeida (Avante), intensificou a convocação de servidores municipais para um evento tratado como sua “despedida” da Prefeitura e marco inicial da pré-campanha ao Governo do Amazonas. Em vídeo divulgado nas redes sociais, ele convida a população para o encontro com a mensagem: “A largada para uma nova história. Ao lado de quem sempre esteve junto: o povo. Terça, 31 de março, 18h, no Studio 5”.

Nos bastidores da administração, no entanto, o “povo” citado pelo prefeito tem sido interpretado, em grande medida, como o próprio corpo de servidores da Prefeitura. Relatos apontam que a mobilização para garantir público ao evento parte, principalmente, de estruturas internas da gestão, com destaque para ocupantes de cargos de chefia e confiança.

Uma servidora da rede municipal de ensino, que preferiu não se identificar, afirmou que a articulação já está em curso e deve concentrar gestores e comissionados. “Com certeza, vão estar lá diretores de escola, gerentes dos distritos educacionais, assessores, secretários e chefias. Agora, quem ele não convoca somos nós, professores concursados. Esse convite não chega pra gente”, relatou.

A convocação ocorre após uma sequência de reuniões com servidores que, embora apresentadas oficialmente como balanços de gestão, têm sido alvo de críticas por supostamente abrirem espaço para sinalizações políticas . O episódio reacende o debate sobre o uso da estrutura administrativa em agendas que podem ser interpretadas como de natureza pré-eleitoral.

Especialistas em direito público e eleitoral costumam alertar que a participação de agentes públicos em eventos com conotação política exige cautela, especialmente quando há indícios de mobilização interna. A preocupação gira em torno de eventual constrangimento funcional e da necessidade de preservar a separação entre atividades institucionais e interesses eleitorais.

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