“Eu tenho medo pelo que possa acontecer com ele, já sofri muito correndo atrás dele nas ruas de Manaus, para que volte para casa, porque eu cuido dele sozinha, com a medicação fica mais calmo”. A declaração é de uma mulher de 60 anos que preferiu não se identificar. A aposentada denunciou ao Diário da Capital, nesta quinta-feira (22/01), a falta de medicamentos na Central de Medicamentos do Amazonas (CEMA), responsável pela distribuição de remédios de alto custo na rede estadual de saúde.
De acordo com o relato, a ausência do medicamento compromete a continuidade do tratamento de um paciente diagnosticado com esquizofrenia, provocando a interrupção do uso regular de remédios essenciais para o controle do quadro clínico.
A denunciante afirma que se desloca diariamente até a CEMA utilizando transporte público, na expectativa de obter o medicamento Olanzapina 10 mg, prescrito para uso contínuo. No entanto, ao chegar ao local, recebe a informação de que o remédio não está disponível, sem esclarecimentos sobre os motivos da falta ou previsão de reposição.
Segundo ela, a interrupção do tratamento provoca o agravamento do quadro de saúde mental do paciente, com episódios de ansiedade, desorientação e surtos, o que dificulta o acompanhamento em casa e exige atenção constante.
A aposentada relata ainda que enfrentou dificuldades para conseguir a inclusão no programa estadual de fornecimento de medicamentos de alto custo. Antes disso, o tratamento dependia da compra direta do medicamento, o que nem sempre era possível devido ao valor elevado e ao fato de se tratar de remédio controlado.
Atualmente, a família teme a suspensão total do tratamento, já que restam poucos comprimidos disponíveis. Conforme orientação médica, a quebra do ciclo do medicamento pode causar prejuízos imediatos à estabilidade do paciente.
A falta do remédio obriga a família, em alguns momentos, a tentar arcar com os custos do tratamento com recursos próprios. No entanto, a limitação financeira impede a manutenção contínua da medicação.
Procurado pelo Diário da Capital, o Governo do Amazonas foi questionado sobre a falta do medicamento na Central de Medicamentos do Amazonas, mas não se manifestou até o momento.
