Quatro carros e 47 servidores. Essa é atual estrutura da Defesa Civil de Manaus para atender uma cidade com mais de 2 milhões de habitantes e mais de 1.500 áreas de risco. A revelação foi feita na Câmara Municipal de Manaus (CMM) nesta segunda-feira (12/05), no mesmo dia em que se celebra o “Dia da Defesa Civil Municipal”, instituído no calendário de Manaus em 2023 pelo vereador Mitoso (MDB).
O número foi citado pelo vereador Jander Lobato (PSD) e confirmado por Coronel Lima Júnior, chefe da Defesa Civil do município, que revelou o tamanho da equipe: apenas 47 servidores fazem todo o monitoramento e dão as respostas emergenciais da capital. No entanto, o titular da pasta garante que a atual estrutura é suficiente para atender a demanda.
“Muitas vezes Manaus é vista e lembrada somente em momentos de crise. Mas se tratando de Manaus, uma cidade com mais de 1500 áreas de risco, uma cidade que todo ano nós temos a cheia, nós temos as chuvas intensas, nós temos a estiagem, então nós já devemos, sim, trabalhar e muito com a prevenção. (…) A Defesa Civil com apenas 47 servidores, hoje, nós conseguimos atender toda a cidade de Manaus”, afirmou, ao relatar os impactos da última tempestade que despejou 137 milímetros de chuva em menos de seis horas.
Apesar das homenagens feitas aos profissionais da pasta, a falta de estrutura virou tema central dos parlamentares que realizaram cobranças e apelos por reforço.
“Se todo ano tem [cheia] significa que é possível, sim, fazer algum tipo de planejamento de prevenção. Eu acredito que pela experiência isso até deva existir, porém na prática depende de estruturas, depende de equipamentos, depende de pessoas. 47 servidores, quatro carros, foi citado aqui também. Não sei se tem mais estrutura ou é só isso. De qualquer forma, a gente precisa discutir que estrutura é essa, eu diria, assim, pelo tamanho da cidade, os desafios e as áreas de risco, precisaria ter uma presença constante, preventiva. É muito pouco”, disse Zé Ricardo (PT).
Rodrigo Guedes (PP) seguiu na mesma linha e sugeriu ações concretas e emergenciais, como a destinação de emendas por parte dos paramentares.
“Se cada um dos 41 vereadores destinar R$ 50 mil em emendas parlamentares, são R$ 2 milhões a mais para a Defesa Civil. Isso é o mínimo”. Em contrapartida, Marco Castilhos (UB) cobrou a criação de um Fundo Municipal de Contingência, já proposto ao Executivo.
Homenagem ou alerta?
A homenagem, idealizada pelo vereador Mitoso, acabou se transformando em uma cobrança coletiva à Prefeitura de Manaus. No entanto, o parlamentar afirma que tratativas estão sendo feitas com o prefeito David Almeida (Avante) para melhorar a estrutura do órgão.
“É um momento de reconhecer desses valorosos guerreiros e guerreiras que fazem, que compõem a Defesa Civil, é um grupo diminuto em uma proporção totalmente equivocada com relação a tudo que é essa cidade de Manaus. Mais de 2 milhões de habitantes, nós temos aí um inverno muito rigoroso e um grupo de guerreiros, como disse, poucos para o tamanho da nossa cidade, então para melhorar, com certeza, eu tenho conversado muito com o prefeito sobre concursos para colocar pessoas qualificadas na Defesa Civil”, disse Mitoso em entrevista ao Diário da Capital.
