Economia

De geração em geração: os desafios para mudar de faixa de renda no Amazonas

Baixa escolaridade, distância e falta de oportunidades dificultam a ascensão econômica no estado

Escrito por Danilo Castro
17 de agosto de 2026
Legenda para foto: Distância e desigualdade limitam mobilidade social no Amazonas - Foto: Reprodução

O Amazonas está entre os estados brasileiros com menor mobilidade social, segundo o Atlas da Mobilidade Social Brasil, elaborado pelo Instituto Mobilidade e Desenvolvimento Social (IMDS) em parceria com o Prospera Lab. O levantamento aponta que apenas 19,8% dos filhos de famílias que estão na metade de menor renda conseguem chegar à metade mais rica da população na vida adulta. Já 80,2% tendem a permanecer na metade de menor rendimento, acima da média nacional, de 66,6%.

O estado aparece à frente apenas do Acre e do Amapá no ranking. O estudo também mostra que somente 6% dos amazonenses vindos das famílias mais pobres têm chance de chegar ao quarto de maior renda do país. Entre eles, apenas 1,1% podem alcançar o décimo mais rico.

A escolaridade dos pais também influencia esse cenário. Segundo os pesquisadores, quando os pais têm ensino fundamental completo ou ensino médio incompleto, 75,9% dos filhos permanecem nas faixas de menor rendimento.

Para o sociólogo Luiz Antonio, a concentração de renda ajuda a explicar a dificuldade de romper esse ciclo.

“Isso implica dizer que o conjunto dos trabalhadores trabalham mais, geram mais riqueza e ficam com menor parte dela. É isso que vai explicar por que você tem uma população tão desassistida, embora tenha tanta riqueza sendo produzida.”

O sociólogo também aponta a educação como um dos principais caminhos para a ascensão social. “Quanto mais pobre uma família, menor é a possibilidade dos filhos ascenderem fora daquilo. A ascensão se dá pela educação”, afirma.

No Amazonas, as grandes distâncias e a concentração das oportunidades em Manaus também dificultam o acesso à qualificação e ao mercado de trabalho.

Para o economista Irazê Lira, a falta de qualidade na educação, de oportunidades e de cursos profissionalizantes em algumas regiões contribui para a manutenção da baixa renda entre gerações.

“Porque as pessoas já vêm com a mentalidade de uma classe de baixa renda que é passada de geração em geração.”

Segundo Luiz Antonio, a geração de empregos de qualidade também é essencial para aumentar a mobilidade social, principalmente para jovens em formação.

Já Irazê Lira defende maior integração entre as políticas públicas de capacitação, emprego e geração de renda para que as oportunidades também cheguem às populações dos municípios mais distantes.

A ampliação do acesso à educação, à qualificação e a empregos de qualidade pode ajudar a romper o ciclo de baixa renda e aumentar as chances de ascensão econômica no estado.

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