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Crianças ribeirinhas são menores e pesam menos, diz pesquisadores

Cerca de 6,5% das crianças ribeirinhas têm peso abaixo do recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS)

Escrito por
Rhyvia Araujo
January 01, 2024
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Pelo menos 6,5% das crianças ribeirinhas de até 5 anos estão com peso abaixo do recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS). O percentual de 57% é maior do que a média nacional, de 4,13%, conforme aponta um estudo publicado pela revista Epidemiologia e Serviços de Saúde. 

Aos 5 anos de idade, um menino ribeirinho tem, em média, 103,5 cm e pesa 16,1 kg, e uma menina ribeirinha tem 107 cm e pesa 16,4 kg. No entanto, de acordo com o recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS), o ideal é que crianças nessa idade tenham 110 cm e 18,4 kg, se do sexo masculino, e 109,5 cm e 18,2 kg, se do sexo feminino.

"Verificamos, por exemplo, que o valor mediano de peso das meninas ribeirinhas é quase dois quilos menor do que a média padrão da OMS", comenta o nutricionista sanitarista Italo Aguiar, pesquisador da Universidade Federal do Ceará (UFC). "Com relação à altura, podemos constatar que o valor mediano dos meninos ribeirinhos da amostra foi 6,5 cm menor do que o padrão global para o mesmo mês de idade".

A pesquisa foi realizada por meio de análise de dados disponibilizados pelo Ministério da Saúde, a partir de coleta rotineira de profissionais do Sistema Único de Saúde (SUS). As informações estão na plataforma Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional (SISVAN).

No total, os pesquisadores analisaram dados de 14 mil indivíduos de 0 a 101 anos de idade que constam do SISVAN como integrantes de povos tradicionais - essas comunidades representam 1% dos registros do sistema. Ribeirinhos são metade desse total, seguidos por geraizeiros (13%) e quilombolas (10%).

Outra informação revelante é que, entre os adultos, se considerados tanto ribeirinhos quanto outras comunidades tradicionais, a obesidade foi constatada em 23% das mulheres e 11% dos homens. Os índices são inferiores à média nacional se levado em conta o mesmo ano de 2019 - 30,2% para mulheres e 22,8% para homens. No entanto, a existência de obesos em uma mesma população em que há déficit de peso e altura entre as crianças é um indicativo de má qualidade alimentar.

Um ponto importante é a localização geográfica dessas populações ribeirinhas - na maior parte, a região amazônica. De acordo com dados de levantamento realizado pelo Centro de Políticas Sociais FGV Social, as quatro maiores taxas de pobreza extrema no Brasil estão na Amazônia.

"Entre 146 estratos geográficos, a maior taxa é a do Vale do Rio Purus, no Amazonas, com 39,2% [da população] com renda abaixo de R$ 300 reais [dados de 2022]", destaca o economista Marcelo Neri, diretor do centro, ao repercutir o estudo.

Outras três regiões da Amazônia Legal aparecem na sequência do ranking: Litoral e Baixada Maranhense, com 39,4%; Vale do Rio Madeira, com 35,1%; e Vale do Rio Juruá, com 30,7%.

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