DC no OFF

Coronel Menezes: o raro caso de um político que conseguiu perder até quando tinha tudo para ganhar

Ele mesmo tratou de cavar, ampliar, cimentar e inaugurar o próprio buraco.

Escrito por Redação
26 de novembro de 2025
Foto: Murilo Rodrigues

O Coronel Menezes virou um fenômeno curioso na política amazonense: um político que não precisou de adversários para cair. Ele mesmo tratou de cavar, ampliar, cimentar e inaugurar o próprio buraco. E fez isso com tanto capricho que até o bolsonarismo, sim, aquele bolsonarismo que abraça até ex-aliado problemático, prefere manter distância.

E não é pouca distância. É um “não me cita, não me marca, não me lembra”.

É, meus manos… quando até o padrinho político te esquece, o problema não é o padrinho.

Menezes surfou a maior onda eleitoral dos últimos anos como se fosse campeão de temporada. Teve quase 740 mil votos para o Senado carregado no colo pelo bolsonarismo, tratado como promessa, como quadro forte, como líder natural da direita no Amazonas. E o que aconteceu depois?
Ele conseguiu a proeza de desperdiçar tudo sem ninguém encostar um dedo.

Derreteu? Não. Seria até gentil chamar isso de derretimento.
Menezes implodiu.

Sua temporada na Suframa, (que deveria ter sido vitrificada como “grande gestão”, “experiência”, “competência técnica”) virou depósito de denúncias, suspeitas, brigas internas e desgaste institucional. Foi, para muitos, o período em que a Zona Franca mais sangrou, mais perdeu e mais sofreu com decisões improvisadas. A vitrine virou vidro estilhaçado.

E, enquanto isso, ele fazia o que sabe fazer de melhor:
fala demais, ataca aliados, muda de partido com mais frequência do que atualiza plano de governo, coleciona brigas, intrigas e portas fechadas. No meio político, ninguém disfarça: Menezes é visto como inconfiável. Aquela figura que chega falando alto, prometendo mundos, e sai deixando só confusão.

Na eleição de 2024, tentou ser candidato a prefeito, mas nenhum partido quis carregar esse peso eleitoral. Restou a vaga de vice, na chapa de Roberto Cidade — e ainda assim ele conseguiu prejudicar. Cada fala era um prejuízo. Cada declaração, uma dor de cabeça. Chegou ao ponto de ser afastado da própria campanha, proibido de dar entrevista, proibido até de atrapalhar.
E agora, um ano depois da eleição, ataca Roberto Cidade, o único que ainda tentou dar abrigo político a ele.

Resultado?
Vira piada nas redes sociais.

A verdade é dura: Menezes perdeu a última coisa que segurava a credibilidade.
Hoje, diz que quer ser deputado federal. Sonho legítimo, claro. Mas seu nome nem aparece entre os oito mais citados nas pesquisas. Nem como lembrança, nem como possibilidade.
E no ritmo que vai… nem como meme.

É um caso raro mesmo.
Um político que teve tudo: padrinho forte, voto consolidado, discurso fácil, espaço, oportunidade.
E perdeu tudo sozinho: aliados, votos, relevância, futuro político e até a sombra do que já representou.

Sobra o quê?
Um coronel político marchando sozinho, carregando o peso da própria irrelevância, e achando que o problema são os outros.

Matérias relacionadas