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Saúde e Bem Estar

Consumo de ultraprocessados eleva risco de sintomas depressivos

Escrito por
Thiago Freire
May 11, 2024
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Foto: Internet

Um estudo realizado pelo Núcleo de Pesquisas Epidemiológicas em Nutrição e Saúde da Universidade de São Paulo (Nupens/USP) apontou que o consumo de alimentos ultraprocessados está associado a um risco 42% maior de sintomas depressivos. A pesquisa, publicada na revista científica Clinical Nutrition e financiada pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), utilizou dados do Estudo NutriNet Brasil, que investiga os padrões alimentares e a saúde de milhares de brasileiros desde 2020.

Os pesquisadores selecionaram 15.960 participantes adultos sem diagnóstico ou sintomas de depressão no primeiro ano do acompanhamento. Após o 14º mês, foram feitos questionários a cada seis meses para avaliar as refeições e o estado de saúde dos voluntários. Os resultados mostraram que os que mais consumiam ultraprocessados apresentavam 42% mais sintomas depressivos do que aqueles que ingeriam menos desses alimentos.

O líder do estudo, André Werneck, pesquisador de doutorado do Nupens, explicou que a associação entre ultraprocessados e sintomas depressivos foi observada independentemente do perfil nutricional da dieta, incluindo gorduras, açúcar adicionado e fibras. Além disso, cada acréscimo de 10% na ingestão de alimentos ultraprocessados resultou em um aumento gradual de 10% nos sintomas depressivos.

Entre os sintomas relatados estão humor deprimido, sensação de fracasso, anedonia (falta de prazer em atividades prazerosas), mudanças de peso corporal e problemas de sono. A relação entre ultraprocessados e sintomas depressivos também foi observada em adultos com níveis mais baixos de escolaridade e renda, que costumam consumir menos frutas, vegetais e fibras, praticar menos atividade física e conviver com mais doenças.

Apesar de não serem claras as causas exatas dessa relação, hipóteses incluem o impacto da composição nutricional dos ultraprocessados na inflamação e na composição da microbiota intestinal. Aditivos alimentares também podem ter um papel, embora ainda sejam necessárias mais pesquisas para confirmar essas hipóteses.

Os alimentos ultraprocessados são produtos industriais com adição de diversos aditivos e conservantes para melhorar sabor, textura e prazo de validade. Exemplos incluem biscoitos, refeições prontas, refrigerantes, cereais e salsichas. No Brasil, representam 18,4% da alimentação, segundo a Pesquisa de Orçamentos Familiares do IBGE, e esse número vem aumentando, chegando a 21,6% de acordo com dados recentes do NutriNet Brasil.

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