Política

Congresso concentra investigações em fraudes no INSS, crime organizado e apostas on-line

CPIs marcaram o ano com prisões, denúncias bilionárias e disputas políticas sobre responsabilidades

Escrito por Redação
27 de dezembro de 2025
Foto: Divulgação / Internet

O ano de 2025 foi marcado por uma intensa agenda investigativa no Congresso Nacional, com comissões parlamentares que colocaram sob os holofotes fraudes bilionárias, a atuação do crime organizado e os impactos das apostas on-line no Brasil. Ao longo do ano, parlamentares abriram e conduziram CPIs e CPMIs que resultaram em prisões, quebras de sigilo, milhares de documentos analisados e debates políticos acirrados.

Um dos principais destaques foi a Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS, instalada em agosto para investigar descontos ilegais em aposentadorias e pensões.

Até dezembro, a comissão realizou 29 reuniões e apontou que sindicatos e associações utilizaram convênios com o INSS para realizar cobranças sem autorização dos beneficiários. A estimativa apresentada pelo presidente da CPMI, senador Carlos Viana (Podemos-MG), é de que mais de 1,6 milhão de aposentados tenham sido prejudicados, com movimentações financeiras suspeitas que podem chegar a R$ 1,2 bilhão.

Foto: Waldemir Barreto

A investigação entra em uma nova fase em 2026, com foco nos empréstimos consignados irregulares, que teriam sido concedidos sem consentimento, muitas vezes por meio de assédio ou renovações fraudulentas que geraram dívidas impagáveis. 

O relator, deputado Alfredo Gaspar (União-AL), classificou o esquema como “o maior roubo contra aposentados e pensionistas da história do país”. O prazo oficial da CPMI vai até março de 2026, mas parlamentares já discutem a prorrogação diante do volume de material e do número de pessoas a serem ouvidas.

Ao longo dos trabalhos, a CPMI ouviu 26 testemunhas, entre elas ex-ministros da Previdência, e determinou prisões por falso testemunho. Um dos depoimentos mais emblemáticos foi o de Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, apontado como operador do esquema e preso preventivamente. Segundo a comissão, ele teria movimentado R$ 24,5 milhões em apenas cinco meses.

Além das fraudes no INSS, 2025 também marcou o início da CPI do Crime Organizado no Senado. Instalada em novembro, a comissão passou a investigar lavagem de dinheiro, uso de criptomoedas, infiltração de facções no setor público e falhas no sistema prisional. 

Sob a presidência do senador Fabiano Contarato (PT-ES) e relatoria de Alessandro Vieira (MDB-SE), a CPI ouviu especialistas e autoridades, incluindo o ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski. A expectativa é que, em 2026, governadores, secretários de segurança e agentes públicos sejam chamados para depor.

O ano também foi marcado pelo encerramento de duas CPIs relacionadas a apostas on-line. A CPI das Bets terminou sem a aprovação do relatório final, um fato raro no Senado, após 21 reuniões e 19 depoimentos. 

Já a CPI da Manipulação de Jogos e Apostas Esportivas aprovou relatório que pediu o indiciamento de envolvidos em fraudes no futebol e apresentou propostas legislativas para combater esse tipo de crime.

Entre investigações técnicas, disputas políticas e denúncias de grande impacto social, 2025 consolidou o Congresso como palco central de apurações sensíveis, que devem continuar a repercutir em 2026, tanto no campo judicial quanto no debate público e legislativo.

Fonte:Com Informações da Agência Senado

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