O fim do primeiro turno das eleições abre espaço para decisões que podem impactar diretamente quem tem ou pretende comprar um carro no Brasil. Entre outubro e o início de 2027, mudanças tributárias e regulatórias devem alcançar veículos novos, combustíveis, pneus e pedágios. Nem todas estão ligadas às eleições, mas duas decisões foram adiadas para depois do segundo turno: as alíquotas do novo Imposto Seletivo e a discussão sobre o Imposto de Importação de pneus.
Uma das principais indefinições envolve o Imposto Seletivo, criado pela reforma tributária. Os veículos estarão sujeitos à cobrança, mas a alíquota deverá variar conforme critérios como potência, eficiência energética, emissão de carbono, reciclabilidade e etapas de produção realizadas no Brasil. A regulamentação, inicialmente esperada antes de 2027, ficou para depois do segundo turno e, por causa da exigência de 90 dias entre a publicação da norma e a cobrança, o tributo não poderá mais começar em 1º de janeiro.
Os combustíveis também estão no radar. A redução temporária de R$ 0,63 por litro nas alíquotas de PIS/Cofins sobre a gasolina e a desoneração do etanol terminam em 9 de outubro. O governo precisará decidir se mantém algum mecanismo de alívio ou retoma a tributação anterior. No diesel, uma subvenção temporária de R$ 2,12 por litro também deixa em aberto qual será a política adotada nos próximos meses.
Outra discussão envolve os pneus importados para carros de passeio. Atualmente, eles pagam 25% de Imposto de Importação, mas fabricantes instalados no Brasil defendem elevar a tarifa para 35%. Importadores são contrários e argumentam que a medida pode encarecer os produtos e reduzir a concorrência. A questão deve voltar à pauta da Camex em 29 de outubro. Já os veículos elétricos montados no Brasil nos regimes CKD e SKD também enfrentarão mudanças: a cota adicional de importação com tarifa zero termina após seis meses, e os CKD terão alíquota de 35% a partir de janeiro de 2027.
No pedágio eletrônico free flow, a atenção deve aumentar a partir de 17 de novembro. Até o dia 16, motoristas podem regularizar tarifas enquadradas na regra de transição sem as penalidades decorrentes do não pagamento. Depois disso, volta a valer integralmente a regra que prevê até 30 dias, após o processamento da passagem, para quitar o pedágio antes que a inadimplência possa resultar em autuação. Segundo o Ministério dos Transportes, mais de 1,3 milhão de multas já haviam sido canceladas após a regularização durante o período excepcional.
