O comandante da lancha que naufragou na região do Encontro das Águas, em Manaus, em fevereiro deste ano, será levado a júri popular pela morte de três passageiros. A decisão, publicada na quinta-feira (24), é do juiz Fábio Lopes Alfaia, da 2ª Vara do Tribunal do Júri. Pedro José da Silva Gama responderá por três homicídios simples, em concurso formal.
Na decisão de pronúncia, o magistrado afastou as qualificadoras de motivo fútil, perigo comum e recurso que dificultou a defesa das vítimas, apresentadas pelo Ministério Público do Amazonas (MPAM). Caberá ao Tribunal do Júri analisar a responsabilidade penal do comandante e decidir, entre as teses submetidas ao julgamento, sobre a existência de dolo eventual ou culpa consciente.
O juiz também revogou a prisão preventiva de Pedro, ao considerar que não permanecem presentes os fundamentos necessários para a manutenção da medida cautelar. O comandante poderá responder ao processo em liberdade, mas deverá usar tornozeleira eletrônica e está proibido de manter contato com familiares das vítimas e testemunhas do caso.
O naufrágio ocorreu em 13 de fevereiro de 2026, quando a embarcação deixou o Porto da Manaus Moderna com destino a Nova Olinda do Norte e afundou nas proximidades do Encontro das Águas. Samila de Souza, de 3 anos, Lara Bianca, de 22, e o cantor gospel Fernando Grandêz, de 39, morreram. Outras cinco pessoas permaneceram desaparecidas após o acidente e 71 sobreviveram.
Segundo a denúncia do MPAM, o comandante conduzia a embarcação em alta velocidade e teria participado de uma disputa com outro barco, além de supostamente ignorar pedidos de passageiros para reduzir a velocidade. As afirmações integram a acusação e serão discutidas no processo. Pedro foi preso preventivamente após o naufrágio e se apresentou à polícia em 16 de março. As buscas pelos cinco desaparecidos foram suspensas pelo Corpo de Bombeiros em julho, com possibilidade de retomada caso surjam novas informações.
