Justiça

Comandante de lancha que naufragou no Encontro das Águas vai a júri por três mortes

Justiça retirou qualificadoras apresentadas pelo MPAM e revogou prisão preventiva de Pedro José da Silva Gama, que responderá ao processo em liberdade com tornozeleira eletrônica

Escrito por Redação
28 de setembro de 2026
Comandante da embarcação responderá em liberdade enquanto aguarda julgamento pelo Tribunal do Júri - Foto: Reprodução

O comandante da lancha que naufragou na região do Encontro das Águas, em Manaus, em fevereiro deste ano, será levado a júri popular pela morte de três passageiros. A decisão, publicada na quinta-feira (24), é do juiz Fábio Lopes Alfaia, da 2ª Vara do Tribunal do Júri. Pedro José da Silva Gama responderá por três homicídios simples, em concurso formal.

Na decisão de pronúncia, o magistrado afastou as qualificadoras de motivo fútil, perigo comum e recurso que dificultou a defesa das vítimas, apresentadas pelo Ministério Público do Amazonas (MPAM). Caberá ao Tribunal do Júri analisar a responsabilidade penal do comandante e decidir, entre as teses submetidas ao julgamento, sobre a existência de dolo eventual ou culpa consciente.

O juiz também revogou a prisão preventiva de Pedro, ao considerar que não permanecem presentes os fundamentos necessários para a manutenção da medida cautelar. O comandante poderá responder ao processo em liberdade, mas deverá usar tornozeleira eletrônica e está proibido de manter contato com familiares das vítimas e testemunhas do caso.

O naufrágio ocorreu em 13 de fevereiro de 2026, quando a embarcação deixou o Porto da Manaus Moderna com destino a Nova Olinda do Norte e afundou nas proximidades do Encontro das Águas. Samila de Souza, de 3 anos, Lara Bianca, de 22, e o cantor gospel Fernando Grandêz, de 39, morreram. Outras cinco pessoas permaneceram desaparecidas após o acidente e 71 sobreviveram.

Segundo a denúncia do MPAM, o comandante conduzia a embarcação em alta velocidade e teria participado de uma disputa com outro barco, além de supostamente ignorar pedidos de passageiros para reduzir a velocidade. As afirmações integram a acusação e serão discutidas no processo. Pedro foi preso preventivamente após o naufrágio e se apresentou à polícia em 16 de março. As buscas pelos cinco desaparecidos foram suspensas pelo Corpo de Bombeiros em julho, com possibilidade de retomada caso surjam novas informações.

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