O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou na quinta-feira (17/7) que gostaria de uma mudança na receita da Coca-Cola: que a bebida passasse a utilizar cana-de-açúcar no lugar do xarope de milho em suas bebidas. A declaração foi feita por meio de uma rede social e repercutiu amplamente, ao indicar uma possível mudança na fórmula tradicional do refrigerante mais consumido nos EUA.
“Tenho conversado com a Coca-Cola sobre o uso de açúcar de cana REAL na Coca nos Estados Unidos, e eles concordaram em fazê-lo”, escreveu Trump. A Coca-Cola ainda não confirmou oficialmente a alteração. Em comunicado, a empresa afirmou que “mais detalhes sobre novas ofertas inovadoras dentro de nossa linha de produtos Coca-Cola serão compartilhados em breve”, disse o presidente norte-americano na publicação.
Atualmente, o Brasil é o maior produtor mundial de cana-de-açúcar e o segundo maior fornecedor de açúcar para os Estados Unidos, atrás apenas do México, de acordo com dados da consultoria StoneX.
Segundo estimativa divulgada pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), a safra brasileira de 2025/26 pode atingir 671 milhões de toneladas de cana, sendo 618 milhões provenientes da região Centro-Sul e 53 milhões das regiões Norte-Nordeste.
O mercado norte-americano permite a importação de até 146,6 mil toneladas de açúcar brasileiro por ano sem tarifas. Quantidades superiores estão sujeitas a uma taxa de quase 80%.
Com o anúncio de Trump, o analista Michael McDougall, especialista no mercado de açúcar, apontou uma possível contradição na política comercial americana. “Muito provavelmente (o açúcar de cana) virá do Brasil, mas Trump acaba de atingir o Brasil com uma tarifa de importação de 50%”, afirmou à agência Reuters. A tarifa mencionada não se refere especificamente ao açúcar, mas a outras importações brasileiras recentemente taxadas pelo governo norte-americano, em um movimento que elevou tensões comerciais entre os dois países.Caso a mudança na fórmula da Coca-Cola se concretize, o Brasil pode se beneficiar pela alta disponibilidade do produto e sua posição de liderança no setor. No entanto, a adoção de novas barreiras comerciais por parte dos EUA pode limitar o alcance desse potencial ganho.
