O Amazonas registrou um crescimento de 26% nos feminicídios entre 2023 e 2024, além do aumento nas tentativas, que seguiram a mesma tendência. Em 2024, a taxa de feminicídio no estado foi de 0,68 por 100 mil mulheres, número superior à média nacional, que ficou em 0,61.
Caso mais recente
Um dos episódios mais recentes ocorreu na terça-feira (09/12). A vítima, Izabel Cristina Lopes Simplício, mãe da influenciadora Isabelly Aurora, foi encontrada morta pela manhã em um sítio no bairro Lago Azul, zona Norte da capital.
Segundo informações preliminares divulgadas pela Polícia Civil, o corpo apresentava requintes de crueldade. Cristina teria sido espancada, estrangulada e ainda teve os olhos perfurados com uma arma branca. De acordo com a polícia, o principal suspeito é o companheiro da vítima, identificado como José Brito. A área foi isolada para realização da perícia, e o caso será investigado pela Delegacia Especializada em Homicídios e Sequestros (DEHS).
Sinais de alerta para mulheres
Ao comentar a realidade das mulheres em situação de violência doméstica, a delegada Débora Mafra reforça que os primeiros sinais nunca devem ser ignorados. “Toda mulher, quando inicia um relacionamento, muitas vezes acredita que está vivendo um sonho. Primeiro vêm os xingamentos, a violência moral. Depois, as ameaças, que são violência psicológica. Nesse momento, ela já sente medo, mas acredita que é algo passageiro”, explica.
Segundo a delegada, a oscilação de comportamento do agressor, ora violento, ora carinhoso, é uma estratégia que confunde e imobiliza as vítimas: “Todo agressor não é agressor 24 horas por dia. Isso deixa a mulher confusa. Mas eu posso afirmar: nas primeiras ameaças, a mulher deve registrar boletim de ocorrência e pedir medidas protetivas.”
Ela destaca um ponto crítico: “A maioria das vítimas de feminicídio no Brasil nunca solicitou medida protetiva de urgência e nunca denunciou seu agressor. E isso fez com que elas perdessem a proteção e acabassem morrendo nas mãos daquele homem que tanto amavam.”
Níveis preocupantes nos relacionamentos
Débora Mafra reforça que a escalada da violência é previsível: “A situação não melhora. Ela passa da ameaça para a lesão física e depois para o feminicídio. Enquanto estiverem vivas, que tenham força para dizer não ao agressor e denunciar.” A delegada relembra que o Estado oferece recursos de proteção, como medidas protetivas, Casa Abrigo, assistência social e acompanhamento psicológico, mas destaca que o primeiro passo depende da vítima.
Cenário atual: alerta e avanços
Os dados oficiais revelam um paradoxo no combate ao feminicídio no Amazonas: apesar do aumento registrado entre 2023 e 2024, os primeiros meses de 2025 demonstram avanço na redução desses crimes.
O estado registrou, no primeiro trimestre de 2025, três feminicídios, contra oito ocorridos no mesmo período de 2024, uma queda significativa. Embora o Amazonas tenha encerrado 2024 com a terceira menor taxa de feminicídio da Região Norte, o cenário permanece de alerta.
A continuidade da redução dependerá não apenas das ações de segurança pública, mas também do fortalecimento das redes de apoio, do acesso efetivo às medidas protetivas e da coragem das mulheres em romper o ciclo de violência antes que seja tarde demais.




