A conhecida campanha de prevenção ao câncer de próstata do Novembro Azul também se estende ao mundo dos animais de estimação. Apesar da taxa de casos ser baixa, quando acontece, a condição que afeta a glândula prostática é extremamente agressiva aos amigos de patas e pode evoluir rapidamente para metástase, quando as células doentes migram para as demais áreas do organismo.
De acordo com o Conselho Federal de Medicina Veterinária, o câncer de próstata nos pets é mais comum em cães machos com idades entre seis e sete anos. A doença afeta cerca de 4% dos cães com mais de sete anos, porém se os animais não forem castrados esse índice pode chegar a 80%. Gatos também podem ter câncer de próstata.
A veterinária Adria Camila Souza da Silva explica que alguns dos sintomas mais recorrentes da doença nos animais são:
- urina com sangue;
- infecções urinárias que não respondem ao tratamento;
- gotejamento de sangue pelo pênis;
- dificuldade para urinar ou defecar.
“Embora o câncer de próstata seja raro em animais (cães e gatos), diferente do que acontece no universo masculino humano – em que é o segundo tipo de câncer mais comum –, indicamos acompanhamento frequente ao médico veterinário para detectar a doença de forma precoce. Isso porque todas as alterações na glândula podem interferir nos órgãos vizinhos dos peludos, causando grande prejuízo à saúde. Sem contar que o câncer de próstata pode ser mortal se não identificado no estágio inicial”, detalha a cirurgiã veterinária.
Ádria pontua que as consultas periódicas são essenciais para a saúde dos animais de estimação e os que tiverem mais de cinco anos precisam realizar o check-up pelo menos uma vez por ano, já que são os mais propensos a desenvolverem a neoplasia.
“O diagnóstico será feito com base nas informações sobre o animal e por meio de exames de sangue, ultrassom e raio-x de pelve, associados ao toque retal, que permite avaliar o tamanho, a consistência e a textura da próstata. Com tudo isso em mãos, é possível identificar qual o motivo da alteração na glândula, que pode ser tanto câncer como hiperplasia prostática benigna, prostatite bacteriana, abscesso, cisto. Após o diagnóstico final, o profissional capacitado indica o melhor tratamento, seja cirurgia, quimioterapia ou radioterapia”, observa.

De acordo com a médica veterinária, quanto mais cedo for detectada a doença – que pode atingir até mesmo animais castrados, ainda que de forma mais incomum –, maior a probabilidade de garantir um tratamento eficaz.
“A saúde dos nossos pets é construída na constância e na atenção aos detalhes, já que algumas doenças são silenciosas e difíceis de identificar sem exames de rotina. Por isso, a prevenção precisa ser um compromisso contínuo. Nem toda alteração aparente é motivo de urgência, mas algumas não podem esperar”, finaliza.
