Matérias
Brasil

Brumadinho: ex-presidente da Vale sabia dos riscos e nada fez, diz PF

Schvartsman busca trancar a ação penal por meio de um habeas corpus

Escrito por
Thiago Freire
January 25, 2024
Leia em
X
min
Compartilhe essa matéria

O delegado da Polícia Federal (PF), Cristiano Campidelli, contradisse a defesa de Fábio Schvartsman, ex-presidente da Vale, ao afirmar que há evidências de que Schvartsman tinha conhecimento dos riscos de rompimento da barragem de Brumadinho e não tomou medidas adequadas. Essa informação surge no contexto do pedido de trancamento da ação penal por meio de um habeas corpus feito por Schvartsman.

Campidelli destacou que as investigações demonstraram que Schvartsman estava presente em um painel onde ocorreu discussão sobre a estrutura que posteriormente colapsou. O delegado afirmou: "Conseguimos demonstrar na investigação que ele sabia que aquela barragem estava em risco. Essa informação também chegou para o número 2 da companhia que trabalhava na mesma sala que ele”.

A tragédia de Brumadinho completa cinco anos, recordando o desastre em que milhões de metros cúbicos de rejeitos foram liberados, causando devastação ambiental e soterrando 270 pessoas. A federalização do caso, atendendo a um pedido da defesa de Schvartsman, levou o processo ao Tribunal Regional Federal da 6ª Região (TRF-6).

Schvartsman, junto com outros réus ligados à Vale e à empresa alemã Tüv Süd, responde por homicídio doloso qualificado e crimes ambientais. A PF destaca que Schvartsman recebeu um e-mail anônimo alertando para a precariedade de algumas barragens, mas em vez de investigar, buscou identificar o denunciante.

A investigação ressalta que o ex-presidente da Vale tinha conhecimento da má qualidade da estrutura e não tomou medidas adequadas. A defesa de Schvartsman alega que não há justa causa para a denúncia, enfatizando que ele não tinha conhecimento sobre a perfuração com sonda que desencadeou o colapso.

O delegado faz referência ao caso de Mariana (MG) em 2015, onde o rompimento de uma barragem da Samarco causou devastação, com 19 mortes, e lembra que o processo foi trancado para o crime de homicídio, com apenas alguns réus respondendo por crimes ambientais.

O advogado Pier Paolo Bottini, representante de Fábio Schvartsman, não comentou sobre o caso, afirmando que a defesa prefere não se manifestar durante o julgamento do habeas corpus.

No items found.
Matérias relacionadas
Matérias relacionadas