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Autoridades descartam surto amplo de vírus Nipah, mas países reforçam vigilância sanitária na Ásia

Sem vacina e com letalidade elevada, doença segue sob monitoramento após novos casos confirmados na Índia

Escrito por Redação
29 de janeiro de 2026
Foto: Reprodução

O risco de uma disseminação mais ampla do vírus Nipah, considerado altamente letal, foi “contido em tempo hábil”, segundo informou o Ministério da Saúde da Índia na noite de terça-feira (27). A avaliação ocorreu após a confirmação de dois novos casos da infecção no estado de Bengala Ocidental, no nordeste do país. Apesar do controle apontado pelas autoridades indianas, países vizinhos passaram a adotar medidas preventivas para evitar a entrada do vírus.

Até o momento, não existe vacina ou tratamento específico contra o Nipah. A infecção costuma ocorrer a partir do contato com animais, como morcegos frugívoros e porcos, ou pela ingestão de alimentos contaminados. O manejo clínico atual se restringe a cuidados de suporte, voltados ao controle das complicações e à manutenção do conforto do paciente.

Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) indicam que a taxa de mortalidade da doença varia entre 40% e 75%, percentual superior ao registrado em infecções por coronavírus. Em razão desse alto índice de letalidade, cada ocorrência é submetida a monitoramento rigoroso pelas autoridades sanitárias.

Os sintomas iniciais costumam ser semelhantes aos de uma gripe, com febre, dor de cabeça, dores musculares, dor de garganta e vômitos. Em alguns casos, também podem surgir vertigem, sonolência, dificuldades respiratórias e alterações do nível de consciência. Nas formas mais graves, a doença pode evoluir para convulsões e inflamação cerebral, com risco de coma. O período de incubação geralmente varia de quatro a 14 dias, podendo chegar a até 45 dias.

Em comunicado oficial, o Ministério da Saúde da Índia afirmou que “medidas de vigilância ampliadas, testes laboratoriais e investigações de campo (…) nos permitiram conter o número de casos em tempo hábil”. As autoridades não divulgaram detalhes sobre o estado de saúde dos dois pacientes. Ao todo, quase 200 pessoas que tiveram contato com os infectados foram colocadas em quarentena.

“A situação está sob constante monitoramento, e todas as medidas de saúde pública necessárias foram implementadas”, acrescentou o governo indiano, destacando que as 196 pessoas identificadas como contatos próximos testaram negativo para o vírus.

Países reforçam medidas preventivas

Embora não haja registro de casos fora da Índia, diversos países asiáticos decidiram reforçar os protocolos de triagem em aeroportos, por precaução. As ações foram adotadas após reportagens preliminares da imprensa indiana indicarem um possível aumento no número de casos, informações que, segundo autoridades de saúde, eram “especulativas e imprecisas”.

Indonésia e Tailândia intensificaram os procedimentos de controle em seus principais aeroportos, exigindo declarações de saúde, medição de temperatura corporal e monitoramento visual de passageiros procedentes da Índia. Na Tailândia, o Departamento de Controle de Doenças informou que scanners térmicos foram instalados nas áreas de desembarque de voos diretos de Bengala Ocidental no aeroporto internacional de Suvarnabhumi, em Bangcoc.

Em Myanmar, o Ministério da Saúde recomendou evitar viagens não essenciais ao estado indiano afetado e orientou viajantes a procurar atendimento médico imediato caso apresentem sintomas nos 14 dias seguintes ao retorno. O país também reforçou a vigilância de febre nos aeroportos, medida herdada do período da pandemia de Covid-19, além de ampliar a capacidade de testagem e o estoque de insumos médicos.

O Vietnã, por sua vez, convocou autoridades locais a adotarem práticas rigorosas de segurança alimentar e a intensificarem a vigilância em fronteiras, unidades de saúde e comunidades. A China informou que está reforçando ações preventivas nas regiões fronteiriças, com avaliações de risco, capacitação de profissionais de saúde e ampliação da vigilância epidemiológica e da capacidade de testagem.

Histórico e avaliação de risco

O vírus Nipah foi identificado pela primeira vez em 1998, durante um surto entre criadores de porcos na Malásia, e recebeu o nome do vilarejo onde foi detectado. Desde então, não houve registro de casos humanos na Europa. Na Índia, as primeiras infecções foram confirmadas em 2001, também em Bengala Ocidental. Em 2018, um surto no estado de Kerala resultou em 17 mortes.

Especialistas consideram pouco provável que a infecção evolua para uma pandemia global, já que a transmissão entre humanos é limitada e exige contato próximo e prolongado. Além disso, não há registro de casos assintomáticos, o que facilita a identificação dos infectados. Ainda assim, a OMS reforça a importância de ampliar a conscientização sobre os fatores de risco, sobretudo diante da ausência de medicamentos ou vacinas específicas.

Apesar de relativamente raros, os surtos de Nipah levaram a Organização Mundial da Saúde a incluir o vírus, ao lado de doenças como Ebola, Zika e Covid-19, na lista de enfermidades prioritárias para pesquisa, devido ao seu potencial de impacto global.

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