Os dados mais recentes do Ministério da Justiça e Segurança Pública revelam que o Amazonas registrou cerca de 170 vítimas de feminicídio entre 2015 e 2025. O recorte histórico começa no ano em que o Brasil oficializou o crime como qualificadora do homicídio, com a promulgação da chamada Lei do Feminicídio (Lei nº 13.104/2015), marco importante no enfrentamento à violência contra a mulher.
A criação da lei representou um avanço jurídico ao reconhecer que muitas mortes de mulheres ocorrem por razões de gênero, geralmente associadas à violência doméstica, relações de poder, controle e discriminação. Ainda assim, os números mostram que a tipificação legal, por si só, não foi suficiente para eliminar o problema, embora tenha contribuído para dar mais visibilidade e padronização aos registros.
Tendência recente de queda, mas cenário ainda preocupante
No recorte mais recente, entre 2021 e 2025, observa-se uma redução no número de casos de feminicídio no Amazonas. Em 2024, foram registrados 29 casos, o que representou um dos pontos mais altos do período recente. Já em 2025, houve queda para 20 ocorrências.
Além disso, o feminicídio costuma ser o desfecho extremo de um ciclo de violência que muitas vezes inclui agressões anteriores, ameaças e violência psicológica, o que reforça a importância de políticas preventivas e não apenas repressivas.
Perfil das vítimas e formas de agressão
Nos últimos cinco anos, o perfil predominante das vítimas no Amazonas é de mulheres entre 35 e 64 anos. Esse recorte etário indica que a violência não está restrita a jovens, atingindo também mulheres em fases mais maduras da vida, frequentemente inseridas em relações conjugais ou familiares de longa duração.
Quanto aos meios utilizados nos crimes, os dados mostram predominância de armas brancas, seguidas por armas de fogo e agressões físicas.
Esse padrão reforça o caráter muitas vezes íntimo e direto dos crimes de feminicídio, geralmente cometidos por parceiros, ex-parceiros ou pessoas do convívio da vítima.
Panorama na Região Norte
Na análise regional, a Região Norte do Brasil registrou um total de 1.258 feminicídios entre 2015 e 2025. Dentro desse universo, o Pará lidera o ranking com 617 casos, enquanto o Amazonas ocupa a segunda posição.
A concentração dos casos nos dois estados mais populosos da região evidencia desafios estruturais comuns, como dificuldade de acesso a serviços de proteção, desigualdade social e limitações na rede de atendimento a mulheres em situação de violência.
Desafios e contexto social
Mesmo após mais de uma década da criação da Lei do Feminicídio (Lei nº 13.104/2015), o enfrentamento à violência de gênero ainda depende de uma rede integrada de políticas públicas.
Especialistas apontam que a efetividade da lei depende não apenas da punição dos agressores, mas também da prevenção, com fortalecimento de mecanismos como denúncias, proteção policial, abrigos temporários, acompanhamento psicológico e campanhas de conscientização.
Embora os números recentes indiquem uma leve melhora no Amazonas, o cenário geral ainda coloca o estado entre os mais afetados pela violência letal contra mulheres na Região Norte, reforçando a necessidade de políticas contínuas e estruturais para reduzir esses índices de forma consistente.
