O Amazonas terá 25 novas escolas indígenas construídas por meio do programa federal Novo PAC – Indígena, iniciativa voltada à ampliação da educação escolar em comunidades tradicionais. O lançamento do projeto ocorreu nesta quinta-feira (26), na comunidade indígena Sahu-Apé, no município de Iranduba, durante agenda com a presença do ministro da Educação, Camilo Santana, e do vice-governador do Amazonas, Tadeu de Souza.
As novas unidades educacionais foram incluídas no programa a partir de proposta apresentada pelo Governo do Amazonas ao Ministério da Educação (MEC), elaborada com base em demandas educacionais mapeadas pela Secretaria de Estado de Educação e Desporto Escolar. A previsão é que mais de 3 mil alunos indígenas sejam beneficiados com a ampliação da estrutura escolar.
Durante o evento, foi assinado o termo de compromisso para execução do projeto. Segundo o vice-governador Tadeu de Souza, as escolas seguirão modelo pedagógico adaptado à realidade das comunidades indígenas.
“Hoje, a gente lança aqui, na comunidade Sahu-Apé, uma escola projetada de acordo com a territorialidade local, com um projeto pedagógico intercultural, considerando o que já é realizado nas escolas do Estado do Amazonas, com proposta pedagógica bilíngue. Com esse projeto, a gente praticamente dobra o número de escolas indígenas. Isso fortalece a rede. Então, é muito simbólico para a gente”, enfatizou Tadeu de Souza.
Atualmente, o Governo do Estado mantém 30 escolas indígenas em funcionamento em 12 municípios do interior, atendendo mais de 9,1 mil estudantes. As novas unidades serão destinadas ao Ensino Fundamental (Anos Finais) e ao Ensino Médio, respeitando diretrizes da Educação Escolar Indígena, como territorialidade, especificidade cultural e participação das comunidades na construção pedagógica.
O projeto integra o eixo Educação, Ciência e Tecnologia do Novo PAC – Indígena, que passou a incluir a construção e ampliação de escolas indígenas a partir de 2026, conforme a Resolução nº 12/2026.
O ministro da Educação, Camilo Santana, destacou que as unidades foram planejadas em diálogo com as comunidades locais e terão estrutura adequada às características regionais.
“Agora é correr para que possamos entregar o mais rápido possível essas escolas, que foram discutidas com a comunidade. Elas seguem um padrão diferenciado, adequado à realidade local, para que possamos entregar uma escola de qualidade aos nossos povos e comunidades indígenas do Brasil”, afirmou.
Educação e preservação cultural
Durante a agenda, representantes indígenas ressaltaram a importância da ampliação da rede escolar para fortalecer a identidade cultural e ampliar oportunidades educacionais. O diretor-presidente da Fundação Estadual dos Povos Indígenas do Amazonas (Fepiam), Nilton Makaxi, destacou o papel da educação no desenvolvimento das comunidades.
“É importante a construção de escolas para fortalecer, cada vez mais, a educação indígena dentro das aldeias e manter a cultura. O Governo do Amazonas está próximo dos povos indígenas. Para isso, precisamos acompanhar a evolução da tecnologia, para que os povos indígenas também tenham oportunidades no mercado de trabalho”, afirmou.
A tuxaua da aldeia Sahu-Apé, Mídian Freitas da Silva, também ressaltou a relevância da escola para a preservação dos saberes tradicionais.
“É muito importante para nós preservar nossa cultura. Trabalhamos com a língua materna e ensinamos nossos alunos. A gente reforça com cada um deles que temos orgulho de ser indígenas e de falar o nosso idioma”, frisou.
Além das autoridades estaduais e federais, participaram do evento o prefeito de Iranduba, Augusto Ferraz, o vice-prefeito Robson Adriel, vereadores do município, lideranças indígenas e representantes do Ministério da Educação.
