O Amazonas aparece entre os estados com os maiores índices de gravidez precoce do país, segundo dados da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSe) 2024, divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). No estado, 14,2% das adolescentes de 13 a 17 anos já engravidaram alguma vez, percentual acima da média nacional e entre os mais elevados do Brasil.
O dado coloca o Amazonas ao lado de estados como Paraíba, Ceará, Pará e Maranhão, todos com índices superiores a 10%, evidenciando um cenário de maior vulnerabilidade na região Norte.
O levantamento também aponta que a gravidez na adolescência está diretamente relacionada a fatores como início precoce da vida sexual, baixa adesão a métodos contraceptivos e contextos de violência. Em nível nacional, apenas 61,7% dos adolescentes afirmaram ter usado preservativo na primeira relação sexual, proporção que cai para 57,2% na relação mais recente.
Além disso, cerca de 7,3% das adolescentes brasileiras já engravidaram, o equivalente a aproximadamente 121 mil jovens, sendo que a grande maioria (98,7%) é de estudantes da rede pública.
Violência e vulnerabilidade
O estudo também revela um quadro preocupante de violência sexual entre adolescentes. No Brasil, uma em cada quatro estudantes já sofreu algum tipo de violência, como toques, beijos forçados ou exposição de partes íntimas sem consentimento.
Entre as meninas, 11,7% relataram ter sido forçadas ou intimidadas a manter relações sexuais, muitas vezes ainda na infância ou no início da adolescência.
Segundo o IBGE, a maior parte dessas violências ocorre dentro do círculo de convivência das vítimas, envolvendo familiares, parceiros ou pessoas conhecidas.
“Esse tipo de violência nem sempre é identificado pela vítima, seja por falta de conhecimento em razão da idade, no caso de menores, seja por aspectos sociais e culturais. Nesse sentido, a identificação dos diversos atos que caracterizam a violência sexual, por um lado, consiste numa estratégia metodológica que facilita a identificação da violência; por outro, possibilita a caracterização da violência em escalas de gravidade”.
Cenário regional agrava indicadores
Dados complementares reforçam o desafio enfrentado no Amazonas. Em 2023, 21,5% dos nascimentos no estado foram de mães adolescentes, percentual superior à média nacional e da própria Amazônia Legal.
Especialistas apontam que fatores como desigualdade social, dificuldade de acesso à informação, barreiras na educação sexual e limitações no acesso a serviços de saúde contribuem para o cenário.
Início precoce e baixa proteção
A pesquisa indica ainda que 30,4% dos adolescentes brasileiros já tiveram relação sexual, e, entre esses, 36,8% iniciaram a vida sexual aos 13 anos ou menos.
Mesmo diante dos riscos, o uso de métodos contraceptivos ainda é irregular. Além da queda no uso de preservativos, 11,7% dos estudantes relataram recorrer à pílula do dia seguinte, enquanto quatro em cada dez meninas afirmaram já ter utilizado o método ao menos uma vez.
Tendência exige políticas públicas
Os dados reforçam a necessidade de políticas públicas voltadas à educação sexual, prevenção da violência e ampliação do acesso a métodos contraceptivos, especialmente em estados como o Amazonas, onde os indicadores apontam maior exposição de adolescentes a situações de risco.
A PeNSe 2024 ouviu mais de 118 mil estudantes de 13 a 17 anos em todo o país, em escolas públicas e privadas, e traça um panorama sobre saúde, comportamento e fatores de risco entre jovens brasileiros.
