Amazonas

Amazonas participa de força-tarefa interestadual para captação e transplante de órgãos

Ação envolveu Rondônia, Pernambuco e centrais de transplantes e resultou em procedimentos realizados em três estados

Escrito por Redação
26 de janeiro de 2026
Fotos: Evandro Seixas / SES-AM

O Amazonas integrou uma força-tarefa interestadual para captação e transplante de órgãos realizada no domingo (25/01), em articulação com os estados de Rondônia e Pernambuco, além da Central Nacional e das Centrais Estaduais de Transplantes. A ação resultou no transplante de fígado em Manaus, no envio de dois rins para Pernambuco e na destinação de uma córnea ao Banco de Olhos de Rondônia.

A captação ocorreu no município de Cacoal, em Rondônia. O fígado foi transplantado no Hospital Delphina Rinaldi Abdel Aziz, unidade da rede estadual de saúde do Amazonas. Os rins foram encaminhados para Pernambuco, enquanto a córnea permaneceu em Rondônia.

O transplante hepático foi realizado ainda no domingo no Hospital Delphina Aziz, que integra o Complexo Hospitalar Zona Norte (CHZN). Este foi o décimo transplante de fígado realizado pela unidade desde outubro de 2025, quando o hospital foi habilitado pelo Ministério da Saúde para realizar esse tipo de procedimento.

Desde a retomada dos transplantes na rede pública estadual, em junho de 2023, com procedimentos renais, e em outubro de 2025, com transplantes hepáticos, a unidade já realizou 277 transplantes, sendo 267 de rins e 10 de fígado. Foto: Evandro Seixas / SES-AM

A captação teve início na manhã de domingo, no Hospital de Urgência e Emergência Regional (Heuro), em Cacoal, com a participação de três profissionais da equipe de transplantes do Amazonas: um médico e um enfermeiro do Hospital Delphina Aziz e um enfermeiro da Organização de Procura de Órgãos (OPO).

A operação contou com articulação conjunta da Central Nacional e das Coordenações Estaduais de Transplantes dos três estados envolvidos, além do Hospital Regional de Cacoal. O transporte dos órgãos foi realizado em aeronave da Força Aérea Brasileira (FAB), garantindo o cumprimento dos prazos técnicos exigidos pelo procedimento.

A secretária de Estado de Saúde do Amazonas, Nayara Maksoud, destacou a integração entre as equipes envolvidas.
“Quero parabenizar toda a expertise das equipes de captadores de ambos os estados, que somaram esforços para uma ação muito bem-sucedida. Quero agradecer todo um conjunto de ações que fazem com que o Norte do País mostre a fortaleza que é o Sistema Único de Saúde”, afirmou.

Os órgãos captados são provenientes de um doador falecido, vítima de acidente de trânsito. O transporte e a utilização seguiram rigorosamente os protocolos de segurança e os critérios técnicos estabelecidos pelo Sistema Nacional de Transplantes.

A cirurgia realizada no Hospital Delphina Aziz beneficiou um paciente de 51 anos, diagnosticado com cirrose decorrente de hepatite B associada ao vírus Delta. Segundo o coordenador da Central de Transplantes do Amazonas, Marcos Lins, que também é médico responsável pela captação e pelo transplante, o paciente já estava internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) da unidade, com quadro clínico agravado.

“Após receber o novo órgão, o paciente passará por um pós-operatório delicado, com acompanhamento intensivo na UTI. A previsão inicial é de três a cinco dias antes de avaliarmos a transferência para a enfermaria. Esperamos que esse seja um recomeço para ele”, concluiu.

Referência em transplantes

O Hospital Delphina Rinaldi Abdel Aziz é referência no Amazonas para transplantes renais e hepáticos, além da realização de procedimentos de média e alta complexidade, como implante coclear.

Desde a retomada dos transplantes na rede pública estadual, em junho de 2023, com procedimentos renais, e em outubro de 2025, com transplantes hepáticos, a unidade já realizou 277 transplantes, sendo 267 de rins e 10 de fígado.

Inaugurado em 2014, o hospital inicialmente funcionava com atendimento exclusivo para urgência e emergência. A partir de 2019, passou por um processo de ampliação, com o número de leitos saltando de 35, em 2018, para 362 atualmente, o que representa um crescimento de 908,6% na capacidade de atendimento pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

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