Educação

Alunos protestam contra condições precárias em escola municipal no Tarumã

Falta de merenda, banheiros sem condições de uso, fiação exposta e salas sem climatização estão entre as reclamações dos estudantes

Escrito por Micaele Souza
20 de agosto de 2026
Alunos protestam e cobram melhorias na Escola Municipal Dalvina Silva de Oliveira, no Tarumã - Foto: Walber Breno/ DC

Cansados de esperar por soluções, alunos da Escola Municipal Dalvina Silva de Oliveira, no bairro Tarumã, zona Oeste de Manaus, decidiram fazer aquilo que não deveria ser responsabilidade de uma criança: protestar para pedir condições básicas dentro da própria escola.

Com cartazes em mãos e manifestações em frente à unidade, os estudantes denunciaram problemas que, segundo eles, já foram levados à direção, mas continuam sem solução. A lista inclui falta de merenda, banheiros sem condições adequadas de uso, fios expostos e salas com aparelhos de ar-condicionado quebrados.

Entre os relatos, a situação dos banheiros chama atenção. Uma estudante contou que algumas portas não fecham, comprometendo a privacidade, enquanto o chão fica alagado e falta papel higiênico.

“Quando a gente entra no banheiro, a gente quer ter privacidade, mas a porta não fecha. A gente tem que segurar com o pé, com a mão. Nós melamos nossos pés, nossas meias, e é difícil ficar lá”, contou.

Para quem deveria estar preocupado apenas em aprender, brincar e pensar no futuro, a realidade dentro da escola tem sido outra. Os alunos também relatam que a merenda não é suficiente para todos. Segundo eles, em alguns dias, parte dos estudantes fica sem alimentação.

O problema não para por aí. Fios soltos e desencapados foram apontados como um risco dentro da unidade. Nas salas, o calor também se tornou motivo de reclamação, já que aparelhos de ar-condicionado não estariam funcionando.

Reclamação resultou em indignação

Para Ana Maria Pereira da Silva, operadora de caixa e mãe de uma das estudantes, a situação não é recente e ultrapassa uma simples reclamação sobre a estrutura da escola.

“Banheiro sujo, sem condições de uso. Quando as crianças puxam a descarga, a água fica com resíduos fecais e mau cheiro. Nós temos também fios soltos e desencapados, correndo o risco de as crianças levarem uma descarga elétrica”, relatou a mãe.

A indignação aumentou porque, segundo os estudantes, tentativas anteriores de buscar uma solução não tiveram resultado. Sem respostas efetivas, eles decidiram ocupar a frente da escola e tornar público o que vivem diariamente.

A mobilização também trouxe outro temor: o de que estudantes e professores sofram represálias por denunciarem os problemas. Segundo os relatos, um professor teria sido retirado da escola após fazer denúncias e para as famílias, cobrar condições dignas e exigir melhorias não deveria colocar crianças, adolescentes ou profissionais da educação em uma situação de medo.

A reportagem entrou em contato com a Secretaria Municipal de Educação (Semed) para saber quais providências serão adotadas e se há previsão para solucionar os problemas apontados. Até a publicação desta matéria, não houve retorno.

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