A presidente da Câmara Municipal de Coari, Jeany de Paula Amaral Pinheiro, irmã do prefeito afastado Adail Pinheiro, tomou posse como prefeita interina do município nesta quinta-feira (17/9). A mudança no comando da cidade ocorreu após uma decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que determinou o afastamento de Adail por 90 dias.
Além do prefeito afastado, o filho dele, o deputado estadual Adail Filho (MDB), também é investigado pela Operação Dinastia do Lago, deflagrada pela Polícia Federal na quarta-feira (16/9). A investigação apura suspeitas de desvio de recursos públicos, corrupção, fraudes em licitações e lavagem de dinheiro relacionadas à gestão municipal de Coari.
A posse de Jeany ocorreu durante uma sessão extraordinária realizada na sala de reuniões da Prefeitura de Coari, espaço que está sendo utilizado temporariamente pela Câmara Municipal enquanto a sede do Legislativo passa por reforma. A sessão foi conduzida pelo vice-presidente da Casa, Orleilson de Oliveira Lima.
O vice-prefeito, Emanoel Pinheiro, também está afastado do cargo para disputar uma vaga na Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam) nas eleições deste ano. Com o afastamento do prefeito e a ausência do vice, a presidência da Câmara passou a ocupar temporariamente o comando do município, levando Jeany, irmã de Adail, à chefia do Executivo municipal.
O impedimento do vice-prefeito foi formalizado por meio de um ofício lido durante a sessão. O documento estabelece o afastamento até o primeiro turno das eleições, marcado para 4 de outubro, com possibilidade de retorno a partir do dia 5, conforme a legislação eleitoral.
Após o juramento, o presidente da sessão declarou Jeany empossada no exercício temporário do cargo de prefeita de Coari. Em seguida, a Mesa Diretora determinou uma série de providências, entre elas o envio de um ofício ao STF para informar o cumprimento das medidas determinadas pela Justiça.
Relembre a operação da PF
A Operação Dinastia do Lago foi deflagrada pela Polícia Federal na quarta-feira (16/9) para investigar suspeitas de fraude em licitações, desvio de recursos públicos, corrupção e lavagem de dinheiro na gestão municipal de Coari.
Por determinação do STF, foram cumpridos 29 mandados de busca e apreensão em Manaus e Coari, além do afastamento de servidores públicos. Entre os alvos estão o prefeito Adail Pinheiro e secretários municipais.
As investigações começaram após a apreensão de aproximadamente R$ 1,25 milhão em dinheiro vivo, em maio de 2025, no Aeroporto Internacional de Brasília. Segundo a PF, a análise do caso apontou indícios de possível atuação coordenada entre empresários e agentes públicos.
