A Polícia Federal deflagrou a segunda fase da operação Disco de Ouro, que investiga um esquema suspeito de movimentar e ocultar mais de US$ 48 milhões, valor equivalente a mais de R$ 240 milhões, por meio de empresas brasileiras e estrangeiras, contas de terceiros e mecanismos informais de transferência de dinheiro. O cantor Alexandre Pires é um dos alvos da ação, que cumpriu 12 mandados de busca e 17 ordens de sequestro de bens e valores autorizados pela Justiça Federal.
A investigação apura como a cassiterita, principal minério usado na fabricação do estanho e retirada ilegalmente da terra indígena Yanomami, entrou no mercado formal com documentação falsa, sendo declarada como proveniente de um garimpo regular no Pará quando, na verdade, havia sido extraída ilegalmente em Roraima. O caso começou em janeiro de 2022, quando a PF apreendeu cerca de 30 toneladas do minério preparadas para exportação.
Segundo documentos da investigação, mais de R$ 45 milhões dessa cadeia foram direcionados a produtoras de eventos, empresas de sonorização e pessoas ligadas ao meio artístico. Uma empresa de Alexandre Pires teria recebido R$ 2,5 milhões em depósitos fracionados, além de R$ 1,3 milhão vindos de uma mineradora, e relatórios de inteligência financeira apontaram movimentações atípicas de R$ 21,2 milhões relacionadas ao cantor. Outras empresas do setor de shows também aparecem na apuração, com repasses de R$ 19,3 milhões e R$ 18,2 milhões vindos do comércio de metais e de operações de dólar-cabo, mecanismo usado para transferir valores entre países sem movimentação formal na fronteira.
Em nota, a defesa de Alexandre Pires afirmou que a relação profissional do cantor com o empresário Matheus Possebon, também investigado, se limitou à intermediação da venda de shows, sem qualquer outra relação jurídica ou comercial entre os dois. Segundo os advogados, o artista está tranquilo e confiante no esclarecimento do caso. A condição de investigado não implica culpa, que só pode ser estabelecida após o devido processo legal.
A primeira fase da operação, em dezembro de 2023, já havia identificado pilotos, postos de combustível e lojas de máquinas ligados à rede de apoio ao garimpo, e chegou a prender preventivamente Possebon, prisão posteriormente revogada. Embora a cassiterita desta fase tenha sido localizada em Roraima, a terra indígena Yanomami também se estende pelo Amazonas, alcançando Barcelos, Santa Isabel do Rio Negro e São Gabriel da Cachoeira, o que coloca o estado no mesmo território afetado pela extração ilegal do minério.
