A Lei Paulo Onça foi aprovada nesta quinta-feira (11/12) na Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam), instituindo a campanha permanente “Na Direção do Respeito”, que passa a promover, durante todo o ano, ações integradas voltadas ao respeito, à empatia e à valorização da vida no trânsito em todo o estado. Apesar do avanço legislativo, a votação foi marcada por debates intensos e divergências entre parlamentares.
Durante a discussão, o deputado estadual Daniel Almeida (Avante) – irmão do prefeito de Manaus, David Almeida -, que assina o PL, demonstrou discordância em relação à proposta que ajudou a construir. Em sua fala, ele mencionou sua trajetória pessoal e criticou a escolha da homenagem.
“Eu também fui dependente químico como Paulo, mas hoje graças a Deus eu estou aqui, passei por tudo isso (…) o primeiro crime cometido foi pelo Paulo Onça, devido à irresponsabilidade dele. Nós não podemos passar a mão por cima do crime de trânsito, esse é um péssimo exemplo que nosso amigo Paulo Onça deu”, disse.

A declaração provocou reação imediata no plenário. O deputado Ednailson Rozenha (PMB) contestou a posição de Almeida e ressaltou a condição de vulnerabilidade da vítima. “Eu me espanto com a falta de empatia do deputado Daniel e por ter conseguido se livrar, deveria entender que o adicto não é criminoso, ele é um doente que precisa de tratamento”, afirmou.
Rozenha reforçou ainda que o objetivo do projeto não é exaltar o acidente envolvendo Paulo Onça.
“Nós não estamos enaltecendo o acidente causado pelo Paulo, a gente quis homenagear um artista de extrema relevância do Amazonas, que só fazia mal a ele mesmo e infelizmente foi vítima da desumanidade. Ele pode ter provocado o acidente, mas ele não agrediu ninguém, ele não foi culpado da violência que sofreu”, explicou.
A deputada estadual Alessandra Campêlo (Podemos) também criticou as falas de Almeida, sugerindo que o parlamentar não teria se expressado adequadamente. “Cada vez que o senhor fala piora. Talvez o senhor não esteja sabendo se expressar, quero acreditar nisso”, disse.
Ela destacou ainda a contradição entre o posicionamento do deputado e sua assinatura no PL. “A primeira coisa é que deveria solicitar a retirada da sua assinatura, pois o senhor é um dos autores da lei, mas deveria pedir ajuda para retirar uma vez que é contra a lei.”
Campêlo também mencionou a dependência química no contexto familiar ao comentar o tema. “Eu mesma tenho um irmão que é dependente químico, e isso é considerado como uma doença incurável que você tem que manter o controle”, explicou.

Relembre o acidente
O sambista Paulo Onça, de 63 anos, faleceu em maio deste ano, no Hospital Universitário Getúlio Vargas (HUGV), em Manaus. Ele estava internado desde dezembro de 2024, após ser violentamente agredido em um episódio ocorrido logo após um acidente de trânsito na capital. A confirmação foi dada ao Diário da Capital pelo advogado da família, Jair Neto.
O caso aconteceu na madrugada do dia 5 de dezembro, quando o veículo conduzido por Paulo Onça avançou um sinal vermelho na Rua Major Gabriel, no bairro Praça 14 de Janeiro, colidindo com o carro do comerciante Adeilson Duque Fonseca. Imagens de câmeras de segurança registraram o momento da colisão e, em seguida, a agressão física cometida por Fonseca, que foge sem prestar socorro. Desde então, Paulo Onça permaneceu internado em estado grave.
