O Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Amazonas (Crea-AM) encerrou a gestão do engenheiro civil Afonso Lins, em dezembro de 2023, com uma redução de 86,1% na reserva financeira da instituição, segundo documentos públicos analisados pela reportagem. Em seis anos, o valor que representa os recursos disponíveis após o pagamento das obrigações do Conselho caiu de R$ 8,76 milhões para R$ 1,21 milhão.
Os dados constam em demonstrativos de execução orçamentária e balanços patrimoniais elaborados pelo próprio Crea-AM. Os documentos também mostram que a administração encerrou quatro dos cinco últimos exercícios financeiros com déficit – quando as despesas superam as receitas – e registrou redução expressiva dos recursos disponíveis em caixa.
Afonso Lins presidiu o Crea-AM em quatro mandatos. Os dois primeiros ocorreram entre 2003 e 2008. Depois, retornou ao comando da autarquia para os triênios de 2018 a 2020 e 2021 a 2023. Em janeiro de 2024, a engenheira civil e professora Alzira Miranda assumiu a presidência da instituição para o triênio 2024-2026, tornando-se a primeira mulher a ocupar o cargo em 50 anos de existência do Conselho.
Contas anuais
Os demonstrativos mostram que 2018 foi o único ano do segundo ciclo de gestão de Afonso Lins encerrado com resultado positivo. Naquele exercício, o Conselho registrou superávit de aproximadamente R$ 238 mil, ou seja, arrecadou mais do que gastou.
A situação mudou a partir de 2019. Naquele ano, o Crea-AM fechou as contas com déficit de aproximadamente R$ 836 mil. Em 2020, o resultado negativo praticamente dobrou, chegando a R$ 1,59 milhão, aumento de cerca de 90% em relação ao ano anterior.
Em 2021, o déficit alcançou R$ 4,49 milhões, crescimento de aproximadamente 182% em comparação com 2020 e o maior resultado negativo registrado no período analisado.
No exercício de 2022, os documentos apontam superávit de aproximadamente R$ 1,7 milhão. No entanto, esse resultado ocorreu após o ingresso de R$ 5,36 milhões em transferências correntes externas, recursos recebidos de outras instituições do Sistema Confea/Crea. Sem esse aporte, o Conselho teria encerrado o ano com déficit superior a R$ 3,66 milhões, conforme os próprios demonstrativos financeiros.
Já em 2023, último ano da gestão, o Conselho voltou a fechar as contas no vermelho. Mesmo recebendo R$ 2,62 milhões em novas transferências externas, o exercício terminou com déficit de R$ 3,28 milhões. Sem esses repasses, o resultado negativo ultrapassaria R$ 5,9 milhões, segundo os documentos analisados pela reportagem.
Patrimônio financeiro
Além dos déficits registrados nos últimos anos, os balanços patrimoniais mostram que o Crea-AM perdeu parte significativa de sua capacidade financeira durante a gestão.
O resultado financeiro – indicador que representa quanto dinheiro sobra após o pagamento de todas as obrigações financeiras da instituição – caiu de R$ 8,76 milhões, em dezembro de 2017, para R$ 1,21 milhão ao final de 2023. A redução foi de aproximadamente 86,1%.
Outro indicador que chama atenção é o ativo financeiro, formado pelos recursos disponíveis em caixa e aplicações financeiras. Esse valor caiu de R$ 10,47 milhões para R$ 3,45 milhões, redução de aproximadamente 67% no período.
Enquanto os recursos disponíveis diminuíram, o passivo financeiro, que reúne as obrigações e compromissos financeiros do Conselho, aumentou de R$ 1,71 milhão para R$ 2,23 milhões, crescimento de cerca de 30,5% entre 2017 e 2023.
Os documentos também mostram que a maior deterioração ocorreu entre 2020 e 2021. Em apenas um ano, a reserva financeira da instituição caiu de R$ 7,07 milhões para R$ 2,64 milhões, redução de 62,7%, enquanto as obrigações financeiras cresceram 161,5%, passando de R$ 1,35 milhão para R$ 3,53 milhões.
Ao final da gestão de Afonso Lins, em dezembro de 2023, o Crea-AM registrava a menor reserva financeira de toda a série histórica analisada pela reportagem, consolidando um cenário de redução dos recursos disponíveis e de sucessivos resultados negativos nas contas da autarquia.



