A Assembleia Geral Extraordinária da Escola de Samba A Grande Família, realizada na noite desta sexta-feira (23), na quadra da escola, no bairro São José, na Zona Leste de Manaus, para deliberar sobre o afastamento do presidente da agremiação, Cleildo Barroso, conhecido como “Caçula”, terminou em bate-boca e na suspensão do Conselho Fiscal, que pedia o afastamento do dirigente depois que ele foi preso por acusação de violência doméstica. O clima esquentou na reunião e até uma viatura da Polícia Militar foi chamada ao local.
O encontro foi convocado após a detenção de Cleildo Barroso, no último dia 16 de janeiro, por suspeita de agredir e ameaçar a ex-esposa, a passista Marryeth Figueiredo, de 29 anos. Na ocasião, o presidente da escola de samba foi conduzido à Delegacia Especializada em Crimes Contra a Mulher (DECCM), autuado em flagrante por violência doméstica e liberado após pagamento de fiança.
Segundo relato da vítima publicado nas redes sociais após o episódio, as agressões teriam sido motivadas por ciúmes. Marryeth afirmou que foi agredida com tapas dentro de um carro e, em seguida, na residência do ex-marido, onde teria sido derrubada no chão e ameaçada de morte.
Diante do caso, o Conselho Fiscal da escola solicitou o afastamento do presidente. A assembleia contou com a participação de fundadores, sócios ouro e integrantes da comunidade da Zona Leste. A advogada do Conselho Fiscal, Daiana Spener, esteve presente representando os conselheiros que defendem a saída de Cleildo Barroso do cargo.
Ela explicou que a Assembleia foi convocada para forçar o afastamento do dirigente por conta da imagem negativa que o caso trouxe à escola de samba.
A representante do Conselho Fiscal lembrou que “Caçula” já havia tentado afastar os conselheiros para realizar uma nova votação, segundo ela, sem nenhuma previsão legal para isso. “Ele quer um novo Conselho Fiscal, para que realmente sejam pessoas a favor dele”, explicou.
Ainda de acordo com Daiana Spener, houve bate-boca durante a assembleia envolvendo representantes jurídicos do presidente. “Os advogados do presidente se alteraram, disseram que pelo [fato] de meus clientes não estarem presentes, mesmo eu tendo procuração para representá-los, eu não teria direito de voz e não deixaram falar. Simplesmente o advogado começou a se alterar comigo, eu me alterei com ele e infelizmente virou uma confusão de um tamanho desproporcional”, relatou.

Advogada do Conselho Fiscal, Daiana Spener contou que o clima foi “quente” na reunião
Segundo a advogada, o presidente decidiu suspender o atual Conselho Fiscal e conduziu uma votação para a criação de uma nova chapa. “Ele (o presidente) suspendeu o conselho atual e fez uma nova votação somente para saber se as pessoas eram a favor da criação de uma nova chapa para uma nova eleição e as pessoas [presentes] foram a favor. O próximo passo a gente vai agora brigar judicialmente e o que tiver que ser vai ser daqui pra frente tudo de forma judicial […] querem tratar [a agressão] como um assunto pessoal. Então quer dizer se a mulher [Marryeth] não tivesse a coragem que teve de denunciar realmente estava tudo bem, ele continuaria no poder, continuaria aí e ninguém falaria nada? As coisas não funcionam por aí, então o que tiver que acontecer daqui pra frente vai ser de forma judicial”.
A reportagem do Diário da Capital tentou contato com Cleildo Barroso durante a assembleia, mas, após o encerramento da reunião com a participação da advogada do Conselho Fiscal, uma nova reunião teve início, também a portas fechadas, e a equipe jornalística não foi atendida. O espaço permanece aberto para ampla manifestação.
Quando o caso veio a público, o presidente da escola se manifestou por meio de nota, sem confirmar ou negar as agressões. Na ocasião, afirmou que se tratava de uma “questão de foro íntimo e de âmbito pessoal, em nada tendo ligação com A Grande Família. Todas as medidas legais cabíveis estão sendo tomadas com responsabilidade e zelo”. A nota também informou que aquela seria “a única manifestação pública que será feita sobre o ocorrido” e que os “esclarecimentos do ocorrido junto às autoridades competentes” seriam realizados.
