Amazonas

‘3 anos de espera’: famílias do Arumã vão às ruas cobrar respostas da Prefeitura de Beruri

O desastre ocorreu em 2023, afetou 81 famílias e teve repercussão nacional

Escrito por Hillary Cruz
2 de outubro de 2026
Tragédia do Arumã: três anos depois, famílias ainda cobram o Poder Público - Foto: Reprodução

Três anos após a tragédia que atingiu a comunidade do Arumã, na zona rural de Beruri, famílias afetadas realizaram uma manifestação pacífica nesta quarta-feira (30/9) para cobrar assistência do Poder Público municipal. O desastre ocorreu em 2023, afetou 81 famílias e teve repercussão nacional.

Segundo os moradores, 64 pessoas participaram do ato. O grupo passou pela Prefeitura de Beruri, pelo Fórum de Justiça e pela Câmara Municipal em busca de respostas sobre as medidas destinadas às famílias que deixaram a comunidade e passaram a morar na sede do município.

Depois de percorrer os órgãos públicos, os participantes seguiram para uma igreja da cidade, que abriu as portas e ofereceu água às famílias. O momento também foi marcado pela emoção e pelas lembranças das pessoas que perderam familiares e bens na tragédia.

A principal reivindicação é a ampliação da assistência para as famílias que decidiram permanecer na sede de Beruri. Segundo os moradores, famílias que continuaram na comunidade do Arumã estão sendo contempladas com unidades habitacionais que estão em construção.

Já os moradores que deixaram a comunidade e passaram a viver na área urbana afirmam que ainda aguardam medidas como moradia e acompanhamento social.

Tentativas de diálogo

Os manifestantes afirmam que houve tentativas de diálogo com a administração do prefeito Emerson Mello (PSD) antes da realização do ato, mas não houve consenso entre as famílias e o poder público municipal. Diante disso, o grupo decidiu realizar a manifestação para cobrar medidas voltadas às famílias que permanecem na sede de Beruri.

Os moradores procuraram o Diário da Capital para pedir respostas sobre a assistência oferecida pela gestão municipal e cobrar ações que atendam às diferentes famílias afetadas pela tragédia.

Relembre o caso

A tragédia ocorreu em 30 de setembro de 2023, quando um deslizamento de terra atingiu a comunidade do Arumã, em Beruri.

Na ocasião, pelo menos uma pessoa morreu, dez ficaram feridas e quatro foram consideradas desaparecidas. O deslizamento, conhecido na região como “terras caídas”, atingiu mais de 40 residências e afetou cerca de 200 pessoas.

O fenômeno ocorre quando grandes partes dos barrancos às margens dos rios desabam, principalmente durante períodos de seca.

Segundo informações divulgadas na época, além das casas, uma escola, igrejas, um posto médico e um espaço para eventos também foram atingidos. Após o desastre, equipes do Corpo de Bombeiros, incluindo mergulhadores e profissionais especializados em resgates em áreas colapsadas, foram enviadas para a região.

Famílias ainda cobram respostas

Três anos depois, a manifestação reacende a discussão sobre a assistência às famílias atingidas pelo desastre. Os moradores que participaram do ato afirmam que ainda existem diferenças no atendimento entre as famílias que permaneceram na comunidade e aquelas que decidiram se mudar para a sede de Beruri.

A reportagem procurou a Prefeitura de Beruri para esclarecer quais medidas foram adotadas para atender as famílias que vivem na sede do município e quais ações estão previstas para os moradores, mas até o fechamento desta reportagem ainda não obteve respostas.

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