O calor extremo e a fumaça das queimadas têm afetado a saúde e a renda de trabalhadores autônomos em Manaus. Com temperaturas que ultrapassaram os 37°C em setembro e episódios de qualidade do ar considerada insalubre, vendedores ambulantes e motoristas de aplicativo enfrentam jornadas mais desgastantes, aumento dos custos e redução do tempo de trabalho.
Para quem trabalha ao ar livre, a exposição prolongada ao sol eleva os riscos de desidratação, tontura e insolação, enquanto a fumaça provoca desconfortos respiratórios. No Centro da capital, o vendedor de água e pipoca Sebastião de Queiroz Castro relata dificuldades para respirar, ardência nos olhos e dores de cabeça. “A dificuldade dessa fumaça é a respiração, a ardência no olho e dor de cabeça que ataca de noite quando a gente está aqui”, contou. Apesar das condições adversas, ele afirma que a procura por água aumentou.
O impacto também é financeiro para quem trabalha ao volante. O motorista de aplicativo Rafael Warley Alcântara de Freitas afirma que o uso constante do ar-condicionado aumenta o consumo de combustível entre 20% e 30%, segundo sua estimativa. Para reduzir os gastos e evitar congestionamentos, passou a reorganizar os horários de trabalho, fazendo pausas durante a tarde e estendendo a jornada até a noite. “O calor deixa a pessoa mais cansado no final do dia”, relatou.
Além do desgaste físico, trabalhadores enfrentam problemas como superaquecimento de veículos, falhas em celulares expostos ao sol e maior consumo de água e gelo. O asfalto, o concreto e a falta de arborização contribuem para intensificar a sensação de calor nas ruas, enquanto a escassez de pontos de hidratação e locais com sombra dificulta a rotina.
Para os profissionais que dependem diretamente das horas trabalhadas para garantir a renda, a situação representa um desafio diário: reduzir a exposição ao calor e à fumaça para preservar a saúde pode significar ganhar menos no fim do mês.
