Economia

Educação financeira começa na infância e pode ajudar a planejar até a faculdade dos filhos

Hábitos relacionados ao dinheiro começam a se formar ainda nos primeiros anos de vida; mesada, planejamento e investimentos podem transformar aprendizado em segurança financeira no futuro

Escrito por Redação
11 de outubro de 2026
Educação financeira na infância pode ajudar crianças a desenvolver hábitos de consumo e planejamento para a vida adulta - Foto: Diário da Capital

A relação com o dinheiro começa a ser construída muito antes do primeiro salário. Uma revisão de mais de 100 estudos, conduzida por pesquisadores da Universidade de Cambridge, aponta que hábitos e atitudes financeiras já começam a se formar por volta dos sete anos. No Brasil, o desafio é relevante: no PISA 2022, apenas 2% dos estudantes avaliados alcançaram o nível mais alto de proficiência financeira, abaixo da média de 11% registrada entre os países participantes da OCDE.

O aprendizado pode começar de maneira simples e adequada a cada idade. Entre 3 e 6 anos, conceitos como diferenciar desejo de necessidade, esperar para comprar e guardar moedas ajudam a desenvolver noções de escolha e planejamento. Dos 7 aos 12, a mesada pode funcionar como primeiro exercício de administração do próprio dinheiro, dividindo os recursos entre gastos imediatos, objetivos futuros e até ações de solidariedade. Na adolescência, contas bancárias, investimentos e o uso responsável do cartão de crédito ampliam a autonomia e aproximam os jovens das decisões financeiras da vida adulta.

A mesma lógica de poupar aos poucos pode ser aplicada pelos pais ao planejamento da educação superior. Considerando uma rentabilidade real hipotética de 6% ao ano, acumular R$ 40,1 mil para custear uma graduação presencial exigiria aportes mensais estimados em R$ 140 durante 15 anos. Com apenas cinco anos para atingir o mesmo objetivo, o valor subiria para R$ 577 mensais. Para Engenharia, a estimativa passa de R$ 202 por mês, em 15 anos, para R$ 835 em cinco anos. Já Medicina, considerando custo total estimado em R$ 820,8 mil, exigiria aportes significativamente maiores.

O tempo é justamente um dos principais aliados desse planejamento. Quanto mais cedo os recursos começam a ser investidos, maior pode ser a participação dos rendimentos na formação da reserva. Entre as alternativas voltadas a objetivos educacionais está o Tesouro Educa+, que combina a variação da inflação com uma taxa contratada e, na data escolhida, transforma o patrimônio acumulado em 60 pagamentos mensais ao longo de cinco anos. Tesouro IPCA+, previdência privada e outros investimentos também podem integrar a estratégia, conforme prazo, riscos e perfil da família.

Mais do que ensinar crianças a acumular dinheiro, a educação financeira busca desenvolver autonomia para fazer escolhas e estabelecer prioridades. Neste Dia das Crianças, a conversa sobre mesada, consumo e planejamento pode representar um presente menos imediato, mas capaz de acompanhar os filhos da infância à vida adulta.

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