A chamada cerveja proteica ganhou espaço nas redes sociais ao prometer uma combinação pouco convencional: manter o tradicional happy hour e, ao mesmo tempo, oferecer proteínas associadas à recuperação muscular. A novidade acompanha o crescimento do mercado de alimentos funcionais, mas o apelo “fitness” exige cautela, principalmente quando a fórmula contém álcool.
Apesar da proteína adicionada, o consumo de álcool pode prejudicar processos importantes após o exercício, como a síntese de proteínas musculares, a hidratação e a recuperação do glicogênio. Dessa forma, a presença do nutriente não transforma automaticamente a cerveja em uma opção adequada para o pós-treino.
Para a nutricionista e responsável técnica da Clínica de Nutrição da UniNorte, Manuela Marinho, versões sem álcool podem representar uma alternativa para quem deseja conciliar a vida social com a alimentação. Ainda assim, ela ressalta que a bebida não deve ser encarada como necessidade nutricional. “Não podemos tratá-la como substituto de fontes proteicas de alto valor biológico, como ovos, leguminosas e carnes, ou mesmo suplementos tradicionais como o whey protein”, explica.
Entre os possíveis atrativos estão maior saciedade e, dependendo da composição, redução relativa de calorias em comparação com algumas cervejas convencionais. Por outro lado, o preço mais elevado e a possibilidade de o consumidor interpretar o produto como “saudável” podem estimular uma falsa sensação de segurança. Nas versões alcoólicas, o próprio álcool ainda pode reduzir parte dos benefícios esperados com a adição de proteína.
Na prática, a cerveja proteica se apresenta mais como uma tendência de mercado do que como recurso necessário para melhorar a performance física ou favorecer a hipertrofia. Para quem busca recuperação e ganho de massa muscular, alimentação equilibrada, ingestão adequada de proteínas e hidratação continuam sendo estratégias mais importantes.


