Meio Ambiente

Amazônia abriga mais de 2,7 mil espécies de peixes, revela estudo

Biodiversidade representa cerca de 15% das espécies conhecidas no mundo, mas enfrenta ameaças como barragens, desmatamento, poluição, garimpo e mudanças climáticas

Escrito por Redação
12 de setembro de 2026
Peixes amazônicos desempenham papel essencial na biodiversidade, na alimentação e na economia das comunidades da região - Foto: Ilustração TNC

A Bacia Amazônica abriga mais de 2,7 mil espécies de peixes de água doce, o equivalente a cerca de 15% de todas as espécies conhecidas no mundo. Aproximadamente dois terços são encontrados exclusivamente na região. Os dados fazem parte da quarta edição do relatório Peixes Esquecidos da Amazônia, liderado pela The Nature Conservancy (TNC) e elaborado com a participação de mais de 50 especialistas de 30 organizações.

Além da diversidade, os peixes desempenham papel fundamental no equilíbrio da floresta. Espécies como tambaqui, pacu e matrinxã se alimentam de frutos em áreas alagadas e ajudam a dispersar sementes. A dourada, por sua vez, pode percorrer mais de 11 mil quilômetros ao longo do ciclo de vida, na mais longa migração exclusivamente em água doce já registrada.

Essa riqueza, no entanto, está sob pressão. O levantamento aponta 144 espécies ameaçadas, enquanto outras 334 ainda possuem dados insuficientes para uma avaliação adequada. Hidrelétricas, desmatamento, poluição, pesca excessiva e garimpo estão entre as principais ameaças. As mudanças climáticas também podem agravar o cenário, com projeções de redução superior a 40% na descarga anual dos rios em algumas áreas importantes da bacia.

A conservação dos peixes também está diretamente ligada à alimentação e à economia das populações amazônicas. Em algumas comunidades ribeirinhas remotas, o consumo de pescado supera 600 gramas por pessoa diariamente. Pelo menos 200 espécies são exploradas comercialmente, além da pesca artesanal, de subsistência e ornamental, que movimenta a economia e sustenta milhares de famílias.

O estudo identificou ainda 155 iniciativas de manejo comunitário da pesca no Brasil, Peru, Bolívia e Colômbia, envolvendo mais de 1,2 mil comunidades e 21 mil pescadores. Os pesquisadores defendem a proteção de rios livres, recuperação de habitats, melhoria da qualidade da água e participação de povos indígenas e comunidades tradicionais nas estratégias de conservação.

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