A candidata ao Governo do Amazonas pelo PL, Maria do Carmo, afirmou que a experiência à frente de empresas privadas é suficiente para credenciá-la a comandar a administração pública estadual, mesmo sem nunca ter ocupado um cargo eletivo ou de gestão no poder público. A declaração foi dada durante entrevista a um programa de televisão nesta quarta-feira (2/9).
Questionada sobre a experiência necessária para administrar o Estado, uma das críticas recorrentes à sua candidatura, Maria do Carmo comparou a gestão pública à iniciativa privada e afirmou que sua trajetória empresarial seria, inclusive, um diferencial.
“Minha experiência na gestão privada me habilita e me credencia até mais do que pessoas que hoje estão à frente da administração pública. Administrar é uma operação só. A diferença é quem faz isso no público e quem faz isso no privado”, disse.
A candidata também foi questionada sobre possíveis conflitos de interesse caso seja eleita, considerando sua atuação à frente de um dos maiores grupos de educação do Amazonas. Maria do Carmo negou que exista incompatibilidade entre seus negócios e uma eventual gestão estadual.
“Não tem como a gente dizer que vai ter conflito de interesses. Porque não tem nenhum tipo de conflito na minha empresa com o governo. Não vou fazer nada que possa gerar esse tipo de articulação”, declarou.
Racha no PL
Durante a entrevista, Maria do Carmo também comentou o cenário interno do PL e os conflitos entre diferentes nomes do partido. Questionada se um eventual racha poderia prejudicar a campanha no Amazonas, ela disse não ter receio e afirmou que pretende sustentar a candidatura na própria trajetória.
“Minha campanha é pautada na minha vida, na minha coerência e na minha conduta. Não tenho dois lados, sou absolutamente fiel aos princípios do partido”, afirmou.
A candidata disse, ainda, que não pode controlar as posições de outros integrantes da legenda, mas que pretende manter o próprio posicionamento político.
“Sou uma pessoa de direita, que escolheu o partido por alinhar com valores e princípios dele. É aqui que quero estar e seguir nessa direção. Não faz sentido estar num partido e você circular em todos os lados”, disse.
Salário e redução de gastos
Uma das promessas apresentadas por Maria do Carmo é abrir mão do salário de governadora caso seja eleita. Segundo ela, o valor seria doado mensalmente a uma instituição.
“Abrir mão do salário já é uma prática comum. Muitos governantes já fazem isso. Vou doar meu salário de cada mês para uma instituição. Vamos selecionar dentre as instituições sérias. São muitas instituições que prestam esse serviço inestimável à sociedade e precisam desse recurso”, afirmou.
A candidata justificou a decisão dizendo ter estabilidade financeira e defendeu que outros governantes adotem a mesma prática.
“Já tenho uma vida financeira absolutamente estável. E espero que os governantes um dia abram mão dos seus vencimentos para servir à sociedade”, declarou.
Maria do Carmo também afirmou que pretende reduzir despesas da máquina pública. Entre os exemplos citados estão cargos comissionados, fundos e outros gastos que considera desnecessários.
“Existem várias despesas que podem e devem ser extintas. Faço isso na minha empresa o tempo todo, olhar as contas com mais rigor. Cargos comissionados em excesso, excesso de fundos sem serventia. Nós temos que otimizar o recurso público para coisas que são realmente necessárias”, enfatizou.
A candidata, no entanto, não detalhou durante a entrevista quais estruturas seriam extintas, qual seria a economia estimada ou como a redução de despesas seria implementada sem afetar áreas essenciais.
Saúde
Na saúde, Maria do Carmo afirmou que uma das primeiras medidas seria recorrer a parcerias com a iniciativa privada para acelerar o atendimento de pacientes que aguardam por consultas, exames e cirurgias.
“Já temos em mente fazer parcerias público-privadas para levar as pessoas para serem atendidas e reduzir as filas de exames. Dá para minimizar e otimizar todos os serviços”, pontuou.
A candidata também defendeu uma reestruturação da rede hospitalar e apresentou a proposta de construção de sete novas unidades: um hospital na capital e outros seis no interior.
“É preciso reestruturar toda a rede hospitalar. Nosso projeto também é criar um hospital na capital, de início, e seis no interior”, disse.
A proposta foi apresentada como uma das estratégias para ampliar a capacidade de atendimento, mas a candidata não detalhou, na entrevista, os custos estimados das unidades ou o cronograma para construção e funcionamento.
Segurança pública e combate ao narcotráfico
Diante da posição estratégica do Amazonas como rota do narcotráfico e dos desafios de combater o crime organizado na região, Maria do Carmo reconheceu que a área será um dos principais desafios de uma eventual administração.
“Esse vai ser um trabalho bem difícil, mas o momento é propício”, afirmou.
Entre as medidas citadas estão a melhoria das condições de trabalho dos agentes de segurança, das bases fluviais e dos quartéis.
“Vamos melhorar a qualidade do nosso efetivo, as bases fluviais, melhorar os quartéis e dar condições para o combate ao crime”, disse.
Maria do Carmo também defendeu uma maior articulação com países que fazem fronteira com o Amazonas.
“Além disso, buscar cooperação internacional com os países que estão na fronteira para fazer um trabalho em conjunto”, afirmou.
A candidata não apresentou, durante a entrevista, detalhes sobre metas, efetivo necessário ou recursos destinados especificamente às ações de combate ao narcotráfico.
Expresso Oeste
Entre os projetos de infraestrutura apresentados está o chamado Expresso Oeste, uma via de aproximadamente 11 quilômetros ligando a região da Ponta Negra à Ceasa.
Questionada sobre a previsão orçamentária e a existência de estudo de viabilidade para a obra, Maria do Carmo estimou o custo em R$ 3,8 bilhões e afirmou que parte dos recursos poderia vir do próprio orçamento estadual, enquanto outra parcela seria buscada junto a organismos internacionais.
“O custo de uma obra dessa é de R$ 3 bilhões e 800 mil. Com algumas mudanças do orçamento, a gente consegue viabilizar parte dessa obra, e a outra a gente vai buscar organismos internacionais como os que hoje se busca. A via é necessária”, detalhou.
O valor apresentado pela candidata representa um dos maiores investimentos citados durante a entrevista. Ela, porém, não detalhou quais mudanças orçamentárias permitiriam financiar a obra nem quais organismos internacionais poderiam participar do projeto.
Seis subsedes administrativas
Outra proposta apresentada foi a criação de seis subsedes administrativas para descentralizar o Governo do Amazonas e aproximar os serviços públicos da população do interior.
“A ideia é descentralizar o comando. Queremos deixar o governo mais próximo de todos. Dividir em seis regiões é uma estratégia de você estar mais perto”, explicou.
Segundo Maria do Carmo, cada estrutura teria serviços considerados essenciais, como hospitais de média e alta complexidade e delegacias funcionando 24 horas.
“As sedes vão ter hospitais de alta e média complexidade, delegacias 24 horas. Vai ser um microgoverno dentro das sedes”, afirmou.
Questionada sobre a existência de recursos para colocar a proposta em prática, a candidata respondeu de forma direta.
“Claro que tem! É o próprio orçamento do Estado que vai fazer isso”.
Apesar da afirmação, a candidata não apresentou durante a entrevista uma estimativa de custo para implantação e manutenção das seis estruturas, nem especificou quais regiões ou municípios receberiam as subsedes.
Zona Franca e novas matrizes econômicas
Na área econômica, Maria do Carmo defendeu a manutenção e o fortalecimento da Zona Franca de Manaus, mas afirmou que o Amazonas precisa reduzir a dependência do modelo e buscar novas atividades econômicas.
“Fortalecer o modelo é uma necessidade. Criar novas matrizes econômicas com a exploração legal de minérios, petróleo, gás, fertilizantes”, comentou.
A candidata também destacou o potencial econômico do interior e defendeu investimentos no setor primário e em infraestrutura como formas de gerar emprego e renda fora da capital.
“Além de tudo, gerar novas matrizes econômicas com o interior, com o setor primário, que a médio prazo cria emprego e renda para as famílias que moram no interior, e pelas obras de infraestrutura que pretendemos fazer”, declarou.
As propostas colocadas por Maria do Carmo durante a entrevista incluem desde a redução de despesas e descentralização administrativa até grandes investimentos em infraestrutura, saúde e segurança. Em diferentes momentos, porém, os planos foram apresentados em linhas gerais, sem detalhamento sobre custos, cronogramas ou indicadores para medir os resultados de um eventual governo.
