A chapa do Partido Liberal (PL) para deputado estadual no Amazonas enfrenta uma crise interna às vésperas das eleições. Candidatas mulheres estariam insatisfeitas com a distribuição de recursos do Fundo Especial de Financiamento de Campanha, o chamado Fundão Eleitoral, além de reclamarem da falta de estrutura e apoio por parte da direção estadual da legenda.
Segundo informações apuradas pelo Diário da Capital, pelo menos duas candidatas que integram a chapa do PL estariam ameaçando deixar a disputa. A principal reclamação seria o valor destinado às campanhas femininas. Conforme os relatos, o presidente estadual do partido, Alfredo Nascimento, teria definido apenas R$ 50 mil para cada uma dessas candidaturas.
A diferença em relação a outros nomes da legenda teria provocado revolta entre as candidatas. Para a própria campanha de deputado federal, Alfredo Nascimento deverá receber cerca de R$ 3 milhões. O mesmo valor estaria previsto para o vereador Sargento Salazar, apontado como uma das principais apostas do partido para a Câmara dos Deputados.
Outro nome apoiado por Salazar, Kidson Maia, candidato a deputado estadual, também deverá receber um valor significativamente maior, de até R$ 1,2 milhão, segundo as informações divulgadas.
A insatisfação levou um grupo de candidatas à sede do PL, no Conjunto Morada do Sol, para cobrar explicações sobre o rateio dos recursos. De acordo com fontes ouvidas e que participaram da reunião, as candidatas já tentavam conversar com Alfredo Nascimento havia pelo menos duas semanas e precisaram aguardar para serem recebidas.
Durante o encontro, Alfredo teria afirmado que a distribuição dos recursos já havia sido acertada com Maria do Carmo Seffair, candidata ao governo do Amazonas, Capitão Alberto Neto, candidato ao Senado, e a direção nacional do PL. Segundo os relatos, o presidente estadual alegou que não teria poder para modificar o que havia sido definido.
A justificativa, porém, passou a ser questionada pelas próprias integrantes da chapa. Em maio, o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, publicou um vídeo afirmando que Alfredo Nascimento seria o responsável por conduzir e tomar as principais decisões do partido no Amazonas.
Além da disputa pelos recursos, a crise pode ter consequências diretas para a composição da nominata. Atualmente, o PL conta com nove mulheres entre os candidatos a deputado estadual. A legislação eleitoral estabelece que cada partido deve respeitar o percentual mínimo de 30% e máximo de 70% de candidaturas de cada sexo.
Caso as candidaturas femininas sejam retiradas, o impacto não ficaria restrito às duas mulheres que ameaçam abandonar a disputa. Para adequar a nominata à regra de gênero, o partido poderia ser obrigado a retirar também outros seis candidatos homens.
A situação coloca em risco uma chapa que trabalha com a expectativa de conquistar até quatro cadeiras na Assembleia Legislativa do Amazonas. Uma disputa interna que começou pela divisão do Fundo Eleitoral pode, portanto, comprometer toda a estratégia eleitoral da sigla.
