No mês dedicado ao incentivo ao aleitamento materno, a campanha Agosto Dourado chama atenção para um gesto que pode transformar vidas: a doação de leite humano. No Amazonas, bancos de leite ajudam a levar esse alimento para bebês internados em UTIs neonatais, especialmente os prematuros e de baixo peso.
O Diário da Capital foi até o Banco de Leite da Maternidade Ana Braga, em Manaus, um dos três bancos de leite do estado, e acompanhou a rotina de mães e profissionais que fazem parte dessa rede de cuidado.
Natural de Tefé, interior do Amazonas, a estudante Nataly Galves vai todos os dias ao banco de leite da maternidade. Ela retira o próprio leite para ajudar na recuperação da filha recém-nascida, que está internada na UTI neonatal.
“Como o meu é pouquinho, eu venho quase todo dia aqui pra tentar tirar pra ela. Eu me esforço bastante pra tirar, pra que ela saia logo dessa situação e volte logo pra casa comigo”, contou Nataly.
A mãe aguarda ansiosa pelo momento de voltar para casa com a filha nos braços.
“Não vejo a hora, peço a Deus para que ela possa se recuperar e sair daqui o mais rápido possível”, afirmou.
Histórias como a de Nataly mostram a importância do leite humano para bebês que precisam de cuidados intensivos nos primeiros dias de vida. Segundo a coordenadora do Banco de Leite da Maternidade Ana Braga, Doralice Almeida, o alimento contribui para o desenvolvimento e proteção dos recém-nascidos.
“O leite materno é de suma importância pras crianças que estão na UTI, principalmente pras crianças que nasceram prematuras, abaixo do peso. O leite materno pelas propriedades nutricionais dele, ele vem ajudar que esse bebê ganhe peso mais rápido, proteger esse bebê, de infecções, alergias, principalmente quando eles estão numa UTI neonatal eles estão com outras crianças por algum motivo, então eu preciso garantir uma maior imunidade nesse bebê”, explicou.
Etapas do processo
Antes de chegar aos recém-nascidos, o leite doado passa por um rigoroso processo de controle de qualidade. Após a coleta, são realizadas etapas como seleção, pasteurização e análises laboratoriais para garantir a segurança do alimento.
Na sala de pasteurização da Maternidade Ana Braga é onde acontece uma das etapas da coleta do leite materno. A última etapa acontece no laboratório, onde cada frasco é analisado individualmente antes de ser liberado para o consumo dos bebês, conforme explicou a técnica em nutrição Eleusina Ferreira de Araújo.
“É feita a última análise, que é a análise microbiológica. Essa análise é feita em cada frasco. De cada frasco é tirada uma mostra de 4 ml. E nessa mostra é feita a inoculação no nosso meio de cultura e onde vamos deixar por 48 horas numa estufa e vamos verificar se esse leite está ok, se ele positivou ou se está negativado”, disse.
Além da Maternidade Ana Braga, o Amazonas também conta com bancos de leite nas maternidades Galileia e Balbina Mestrinho, além de postos de coleta de leite humano, que ajudam a abastecer maternidades e UTIs neonatais.
Durante o Agosto Dourado, as ações de incentivo à coleta são intensificadas, mas a doação de leite humano pode ser feita durante todo o ano. Um gesto de solidariedade que ajuda a levar alimento, cuidado e esperança para bebês que precisam desse apoio.

