O mercado imobiliário de Manaus e Iranduba movimentou R$ 1,445 bilhão em Valor Geral de Vendas (VGV) no primeiro semestre de 2026, mantendo um desempenho expressivo mesmo diante de um cenário de desaceleração nos lançamentos. Os dados são da Brain Inteligência Estratégica e abrangem os segmentos residencial vertical, horizontal e comercial.
Apesar do volume financeiro elevado, o levantamento acende um sinal de alerta. No segundo trimestre, foram lançadas 1.174 unidades residenciais verticais, uma queda de 63,7% em relação ao mesmo período de 2025. O programa Minha Casa, Minha Vida respondeu por 76% dos novos empreendimentos e também concentrou mais de três quartos das vendas realizadas entre abril e junho.
Outro indicador observado foi a redução da oferta disponível. Ao fim de junho, Manaus contabilizava 5.807 unidades residenciais verticais em estoque, número 23,7% inferior ao registrado um ano antes. Entre os bairros com maior volume de comercialização, a Ponta Negra liderou as vendas, seguida por Lago Azul, Tarumã-Açu e Novo Aleixo.
Para o diretor da Comissão da Indústria Imobiliária da ADEMI-AM, Paulo Avelino, o mercado segue aquecido, mas exige cautela. Segundo ele, o desempenho do primeiro semestre representa praticamente metade de todo o volume negociado em 2025, considerado um ano histórico para o setor. Ainda assim, a redução dos lançamentos levou a entidade a revisar a expectativa de crescimento para 2026.
A avaliação da ADEMI-AM é de que a diminuição dos novos empreendimentos pode comprometer a oferta de imóveis nos próximos anos. A entidade destaca que o Minha Casa, Minha Vida continua sendo o principal motor do mercado, impulsionando cerca de oito em cada dez imóveis vendidos na capital e garantindo o acesso de milhares de famílias à casa própria.
