Na tarde desta segunda-feira (3/8), o ex-prefeito de Manaus e candidato ao Governo do Amazonas, David Almeida (Avante), apresentou oficialmente seu plano de governo “Pra Cima, Amazonas – Energia e Coragem para o Amazonas Prosperar”. O documento, entregue à Justiça Eleitoral, reúne nove eixos estratégicos e apresenta propostas para áreas como transparência, saúde, assistência social e gestão pública.
O primeiro eixo do plano de governo apresentado por David, batizado de “Amazonas Conectado”, coloca a transparência, a integridade, a transformação digital e o fortalecimento dos mecanismos de controle como pilares de uma eventual gestão estadual. Entre as propostas estão a ampliação do controle interno, implantação de modelos de gestão de riscos, criação de portais de dados abertos, modernização das compras públicas e uso de inteligência artificial para prevenir irregularidades.
As propostas, entretanto, contrastam com episódios que marcaram sua administração na Prefeitura de Manaus e que motivaram investigações por órgãos de controle e fiscalização.
O caso de maior repercussão envolveu uma investigação da Polícia Federal e do Ministério Público Federal sobre suspeitas relacionadas a contratos de coleta de lixo. A apuração buscou esclarecer possíveis irregularidades na contratação da empresa responsável pelo serviço e investigou suspeitas de pagamento de vantagem indevida a agentes públicos. David Almeida sempre negou qualquer irregularidade e, até o momento, não há condenação definitiva no caso.
Outro episódio de grande repercussão ocorreu durante a pandemia de Covid-19, quando denúncias de pessoas fora dos grupos prioritários recebendo vacinas levaram o Ministério Público a instaurar investigações sobre o chamado “fura-fila da vacinação”. A gestão municipal também negou irregularidades e afirmou ter seguido os critérios estabelecidos pelas autoridades sanitárias.
Na área da educação, contratos da Secretaria Municipal de Educação (Semed) também foram alvo de questionamentos por órgãos de controle, incluindo investigações relacionadas à aplicação de recursos do Fundeb e à contratação de serviços e fornecimento de merenda escolar. Além disso, o Tribunal de Contas do Amazonas determinou a suspensão da utilização de recursos do Fundeb para custear despesas do plano de saúde dos servidores municipais, decisão que gerou forte embate político e motivou pedidos de responsabilização apresentados pela oposição.
A gestão ainda enfrentou críticas relacionadas à transparência administrativa, especialmente sobre contratos públicos, licitações, nomeações de familiares para cargos estratégicos e pedidos de acesso a informações públicas. Esses episódios alimentaram debates sobre governança e controle social durante todo o mandato.
Além das propostas de governança, o plano de governo apresenta promessas para a área da saúde, mas sem detalhamento de metas, cronograma ou impacto financeiro. David Almeida promete implantar nove polos regionais de atendimento, construir um hospital infantil, uma maternidade e criar o programa “Corujão da Saúde”. Também afirma que pretende zerar a fila do Sistema de Regulação (Sisreg), classificada por ele como “fila da morte”, por meio de mutirões e da contratação da rede privada.
O documento, entretanto, não informa quantas pessoas deverão ser atendidas pelas novas estruturas, em quanto tempo as metas seriam alcançadas, qual o custo previsto das medidas ou quais fontes de recursos financiariam a expansão da rede. Em 2018, quando disputou o Governo do Amazonas, David Almeida também prometeu a construção de uma nova Fundação Centro de Controle de Oncologia do Estado do Amazonas (FCecon) e de um Hospital do Sangue. As duas unidades, no entanto, acabaram sendo executadas posteriormente durante a gestão do governador Wilson Lima (União Brasil).
Na área social, o candidato promete dobrar o valor do Auxílio Estadual, elevando o benefício de R$ 150 para R$ 300 mensais. O programa foi criado durante a gestão de Wilson Lima e mantido pelo então presidente da Assembleia Legislativa e atual governador do Amazonas, Roberto Cidade (União Brasil). Considerando o universo aproximado de 300 mil beneficiários, a despesa anual poderia passar de cerca de R$ 540 milhões para aproximadamente R$ 1,08 bilhão, representando um custo adicional estimado em R$ 540 milhões por ano. Apesar do impacto potencial, o plano de governo não apresenta estudo de viabilidade financeira nem indica de onde viriam os recursos para custear a ampliação do benefício.
A defesa de uma gestão baseada em integridade e transparência passa, porém, pelo desafio de responder às críticas e investigações que marcaram sua passagem pela Prefeitura de Manaus. Ao mesmo tempo, propostas centrais do plano de governo, especialmente nas áreas de saúde e assistência social, ainda carecem de detalhamento sobre metas, custos, fontes de financiamento e indicadores de execução. Até o momento, os procedimentos envolvendo o ex-prefeito possuem diferentes estágios de tramitação, e não há condenação definitiva contra ele nos principais casos de repercussão pública.
