Cultura

Entre música e movimentos, Dia do Capoeirista reafirma legado de resistência em Manaus

Na capital, rodas de capoeira fortalecem a tradição e incentivam disciplina, respeito e pertencimento entre crianças, jovens e adultos

Escrito por Hillary Cruz
3 de agosto de 2026
Entre música e movimentos, capoeira reafirma legado de resistência - Foto: Hercules Xavier/ DC

Comemorado em 3 de agosto, o Dia do Capoeirista homenageia uma das mais importantes manifestações da cultura afro-brasileira. Misturando esporte, luta, dança, música e cultura popular, a capoeira é reconhecida como símbolo de resistência, identidade e inclusão social, reunindo praticantes de diferentes idades em rodas que preservam uma tradição centenária.

Originada entre africanos escravizados e seus descendentes no Brasil, a capoeira surgiu como uma forma de resistência e preservação da identidade cultural. Caracterizada por movimentos ágeis e complexos, a capoeira utiliza os pés, as mãos e elementos ginástico-acrobáticos. O que a diferencia de outras artes marciais é a presença da música, marcada pelo som do berimbau, do pandeiro e de outros instrumentos que conduzem o ritmo da roda.

Em Manaus, essa tradição permanece viva por meio do trabalho desenvolvido pelo Grupo Nagô, que promove a formação de novos praticantes e incentiva valores como disciplina, respeito, cooperação e valorização da cultura afro-brasileira.

À frente do grupo está Luciano Santos de Lima, conhecido como “Mestre Pulga”, natural de Pernambuco. Ele conta que conheceu a capoeira ainda na juventude e levou esse aprendizado para o Amazonas, onde hoje dedica a vida ao ensino da modalidade.

“A maioria das pessoas, na minha época, começou na capoeira na rua, vendo um amigo participar das rodas. A capoeira é importante porque é uma arte marcial que trabalha o corpo inteiro, unindo musicalidade, dança e esporte”, afirmou

Para muitos praticantes, a capoeira vai além da atividade física e se transforma em um estilo de vida. É o caso de Kerven Ferreira, que encontrou na modalidade um caminho para o bem-estar e o desenvolvimento pessoal.

“A capoeira, para mim, é um estilo de vida. É a forma como a gente vive. O capoeirista tem um jeito de viver, sempre se exercitando e buscando uma vida saudável”.

No Grupo Nagô, os alunos aprendem diferentes ritmos da capoeira, entre eles a Bangela, marcada por um jogo mais cadenciado e estratégico, com movimentos mais próximos ao chão, e o São Bento Grande, caracterizado pela intensidade, velocidade e golpes como a queixada, a armada e o martelo, evidenciando o aspecto marcial da capoeira.

Além do ensino da modalidade, o grupo também representa um espaço de acolhimento e convivência. A instrutora Caroline Freitas, integrante do Capoeira Nagô, afirma que encontrou na prática muito mais do que um esporte.

“A capoeira é minha varanda, meu dendê, minha casa. Não existe uma palavra capaz de definir o que ela representa para mim. É dedicação, amor e pertencimento”, afirmou.

Matérias relacionadas